16.11.08

Toda mãe é uma peça!

Dona Hermínia: estrela do monólogo, personagem criada e interpretada pelo ator Paulo Gustavo é uma espécie de síntese de todas as mães que há no mundo...

Talento é algo que sempre me impressiona. E, mais que isso, emociona mesmo. E foi exatamente essa emoção que senti na noite desse sábado, quando, de pé, no meio da platéia, aplaudi com muita vontade o ator Paulo Gustavo.
Paulo é autor e ator do monólogo "Minha mãe é uma peça", que felizmente já faz longa carreira em teatros cariocas. Depois de ouvir muitos elogios, só ontem pude conferir a engraçadíssima história de Dona Hermínia, a mãe que dá título ao espetáculo. A demora, aliás, também se deve ao sucesso arrasador da montagem, que não pára de lotar os locais em que fica em cartaz...
Quem já ouviu a máxima que diz que todas as mães são iguais vai poder comprová-la nessa comédia. Sim, leitor, nos tiques e nas expressões de Hermínia, há muito de Marias, Verônicas, Stellas, Júlias, Franciscas...! Há muito da minha Ismênia também! E é praticamente impossível não reconhecer nos trejeitos e no humor da mãe que está em cena traços da que está em casa, no coração ou na memória. Hermínia é mãe de todos nós! E exatamente por isso, foram várias as vezes em que ouvi, aos sussurros, alguém dizer: "Minha mãe é igualzinho!".
Aí está grande parte do mérito do autor Paulo Gustavo: sensível, ele soube capturar para o texto essas características universais da maternidade. Aquele tom vitimizante, dramático, exagerado e cruelmente reclamão; de quem é capaz de dizer à filha que "vai dar um tapa e virar sua cara pro lado" e, momentos depois, explodir: "às vezes eu tenho vontade de sumir!"; sem falar no corriqueiro: "ninguém tem capacidade de lavar um copo!". Bem familiar, não?
Já o ator Paulo Gustavo tem o mérito de criar essa mulher cheia de tiques nervosos, com uma voz esganiçada e gritada que, no entanto, não cansa a platéia. Como também não cansam os momentos em que, solitária - mas, sempre, muito reclamona - Hermínia repete setecentas vezes o texto da bronca que ensaia dar nos filhos, na vizinha, na tia-mala que telefona sempre, em Carlos Alberto - o ex-marido - e Soraya, sua nova mulher.
Aliás, setecentos é um número que Hermínia repete bastante também...
Pra mim, um dos momentos mais engraçados é aquele em que a personagem se queixa do Natal. "Todo mundo briga o ano todo, aí na semana do Natal vem querer confraternizar! FALSIDAAAAAADE!!!" É divertidíssimo e a platéia explode às gargalhadas...
Turma, esse é um ESPETÁCULO, assim mesmo, com letras maiúsculas! Vale muito a pena assistir, rir e reconhecer a própria mãe na tal Dona Hermínia inventada pelo engraçadíssimo Paulo Gustavo.
Durante os aplausos, logo depois do fim da peça, o ator pegou o microfone e, antes que pudesse dizer alguma coisa, ouviu de uma senhora da platéia que a peça é sensacional. Ele agradeceu. E eu concordei! São raras as vezes em que um adjetivo traduz tão bem o que sentimos.
E foi exatamente o que aconteceu com esse sensacional ontem...
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