8.1.09

Fábio de Melo: a ressureição da indústria e o encontro entre o sagrado, o comercial e o profano...

Campeão de vendas em 2008, padre-cantor gravou Dvd no Rio essa semana

A indústria fonográfica sempre consolidou suas vendas - e condicionou sua sobrevivência - a dois fatores: a exploração (no bom sentido, ok?) do talento e a propagação dos ídolos. Em grave crise ocasionada pela pirataria digital e, a meu ver, também pela ganância exacerbada ao estabelecer preços elevados e pouco atraentes desde o início do Plano Real; hoje, mais do que nunca, essa indústria combalida precisa se firmar nesses eixos para não desmoronar ladeira abaixo.
Em tempos de axé music e sertanejo muito fortes, sem falar do fenômeno Calypso, que surgiu e sobreviveu por longo período sem contar com a infraestrutura de qualquer gravadora; atualmente é um padre que tem se destacado como campeão de vendas.
E não é o padre Marcelo Rossi...
Fábio de Melo, 37 anos, aparece em 11 entre 10 comerciais do horário nobre da Globo. Pelo menos foi assim às vésperas do último Natal. Com pinta de galã e um visual que lembra o Fábio Jr. dos áureos tempos, o padre-cantor tem arrebatado fiéis com um repertório que agrega canções religiosas e outras, do mundo extra-altar. A receita agradou à irmandade: foram mais de 500 mil cópias vendidas no ano passado - em tempos de crise, quaisquer 20 mil cópias já fazem os executivos da indústria do disco abrirem um sorrisão de orelha a orelha.
Essa semana, o padre Fábio gravou um Dvd. E vale dizer que é justamente o formato Dvd que tem garantido - segundo os especialistas - a sobrevida da indústria fonográfica. O Dvd do padre-campeão-de-vendas foi gravado no Canecão. E acabo de ler, no Globo Online, que entre uma música e outra, as fãs do artista soltavam gritinhos de lindo. E aí eu pergunto: é pra levar a sério a ideia de que as canções, o show e o padre têm um caráter evangelizador? Ou melhor: dá pra levar a sério tudo isso?
Ou a gente já pode se preparar para vê-lo - no meu caso, para não vê-lo - no Gugu e no Faustão enquanto o auditório grita: lindo, tesão, bonito e gostosão?!?!?!
Posso ser careta, admito, mas tudo isso me cheira muito mais a marketing que a qualquer outra coisa. E nesse caso, meus caros, a indústria da fé é tão profana quanto qualquer outra...
E você? O que pensa a respeito?
Comentaê!
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