3.1.09

Sobre o polêmico Acordo Ortográfico...

A mídia tem tratado exaustivamente das novas regras vigentes desde que o Acordo Ortográfico entrou em vigor aqui no Brasil, desde o dia 1°. No Salto, eu também já mediei alguns debates em que a questão foi tratada e, até então, não tinha desenvolvido grande resistência ao novo arranjo do nosso idioma.
Incluir K, W e Y no alfabeto, sem problema!
Cortar o trema? Tranquilo, não faz falta mesmo!
Agora eu não faço idéia de quando vou me acostumar a escrever idéia sem acento! Gente! Idéia é idéia, com acento no e! Que ideia mais maluca de implicar com esse acento, caramba! Esse papo de acabar com os acentos nos ditongos abertos éi e ói das palavras com a penúltima sílaba tônica é o fim! Olha só que esquisto: alcateia, odisseia, androide, asteroide, boia, colmeia, heroico, joia, paranoia...tudo sem acento! Não é terrível?
E tem mais: paroxítonas com i e u depois de ditongos também não levarão mais acentos. Bocaiuva e feiura são exemplos.
Outra esquisitice: a extinção dos acentos para as palavras terminadas em êem e ôo(s). Agora fica tudo assim: voo, zoo, abençoo, leem, veem...e por aí vai.
O acento diferencial também foi pro espaço. Não tem mais aquela de acentuar o verbo pára só pra deixá-lo diferente da preposição para. Polo, pera e pelo(s) também perdem os acentos.
Mas há exceções - aliás, não seria a Línga Portuguesa se não houvesse exceções!!! - No caso de pode/pôde o acento diferencial fica do jeitinho que o conhecemos. Nesse caso, serve pra diferenciar o verbo no tempo presente da forma pretérita. O diferencial também segue firme em pôr (verbo) e por (preposição); e nos plurais dos verbos ter, vir (e dos derivados: manter, deter, reter, conter, convir, intervir e etc).
Ainda há mais umas regrinhas relacionadas à acentuação. Mas essas são as mais importantes.
Agora, outra polêmica: o hífen! Sempre vai rolar hífen antes de palavras iniciadas com h, como anti-higiênico, anti-histórico, super-homem, e etc. A exceção é subumano - no caso, além do hífen, o h também vai pro escambau!
Com prefixos terminados em vogal diferente da vogal que dá início ao segundo elemento, cai o uso do hífen. Aeroespacial, plurianual, infraestrutura, autoescola, autoestrada...agora é tudo junto e misturado! No caso do prefixo co, rola mais uma exceção: ele geralmente vai se juntar ao segundo elemento, mesmo quando a primeira letra for o: como a gente nota em coordenar, cooptar, cooperar e etc.
O hífen também fica de lado quando o prefixo terminar em vogal e o segundo elemento começar com consoante diferente de r ou s: anteprojeto, antepedagógico, semideus e etc.
No caso do prefixo vice, segue obrigatório o uso do hífen.
Não se usa hífen quando o prefixo terminar em vogal e o segundo elemento começar com r ou s. Nesse caso, não se angustie: é só dobrar a última letra do prefixo. Fica assim ó: minissaia, antirracismo, contrassenso, ultrassom, biorritmo e etc.
Quando o prefixo terminar com a mesma vogal que dá início ao segundo elemento, sapequemos o hífen: contra-ataque, contra-almirante, micro-ônibus, anti-inflamatório e por aí vai...
O mesmo vale quando a mesma consoante for a última letra do prefixo e a primeira do segundo elemento, assim: inter-racial, super-romântico, inter-regional e afins.
Nos demais caso, não se usa hífen. E você vai poder continuar achando superinteressante ir ao hipermercado intermunicipal sem ter superproteção - tudo sem tracinho nenhum pra chatear!
Ainda há mais umas regrinhas chatas sobre o uso do hífen. Um pé no saco, eu também acho! E se você não tiver nenhum sinônimo pra substituir a palavra que anda lhe encafifando a mufa, sugiro dar uma olhada em algum manualzinho online. Há alguns bem bacanas e que trazem todas as dicas fundamentais sobre essa reforma fora de hora, que acaba deixando todo mundo um pouco menos alfabetizado da noite pro dia, por mais que se diga o contrário.
E você, leitor? O que está achando de ter que decorar novas regrinhas a essa altura do campeonato, hein?
Postar um comentário