25.6.08

Intolerância: a pior das ignorâncias

Um grupo de evangélicos tentou invadir o Congresso para protestar contra a aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia no Brasil. Os protestantes - aqui, com duplo sentido - alegam que querem ter o direito de criticar a homossexualidade.
O que é isso, minha gente?
A matéria da Folha é chocante! Um dos trechos traz a polêmica declaração de um pastor da Assembléia de Deus, Jabes de Alencar. Segundo o jornal, o religioso teria dito: "Senhor, sabemos que há uma maquinação para que esse país seja transformado numa Sodoma e Gomorra. Um projeto desses vai abrir as portas do inferno".
Eu pergunto: se essa declaração não é discriminatória e preconceituosa, como ela pode ser classificada? O que estaria o pastor pregando ao dizer isso?
Eu respondo: certamente, não era o amor e a igualdade entre todos os filhos de Deus.
Os seguidores dessas religiões alegam que querem ter preservado o direito à crítica ao que insistem em chamar de 'homossexualismo'.
Crítica? Não são os mesmos evangélicos que, vira e mexe, sentem-se alfinetados por parte da mídia? Não são eles mesmos que pedem respeito para suas crenças - e o fazem com legitimidade? Não são os evangélicos que se organizaram politicamente, inclusive, para garantir preservados e respeitados os interesses ligados à fé cristã?
E como entender que esses que tanto se dizem vitimados pelo preconceito, querem impedir a aprovação de uma lei que quer, exatamente, combater esse mal? No Brasil, há centenas de homossexuais assassinados todos os anos apenas pelo fato de serem homossexuais. Não criminalizar a homofobia é, entre outras coisas, aprovar os que matam em nome dessa discordância em relação à orientação sexual de quem quer que seja. Não criminalizar a homofobia é concordar com o preconceito e com a discriminação que, tantas e tantas vezes, mancham de vermelho-sangue as páginas dos jornais e a história desse país.
Utilizar o pretexto da liberdade de expressão para não criminalizar a homofobia é, a meu ver, covardia. Uma covardia perigosa, que pode servir de argumento para quem quiser criticar e/ou ser contrário à miscigenação, por exemplo. Ou para quem cismar de criticar as religões alheias. Será que é preciso lembrar de quanto os judeus já sofreram por isso?
Lamentável!
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