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14.8.08

'Vou pintar um arco-íris de energiaaaaaaa'...

Tinky Winky, o teletubbie roxo, teve sua sexualidade posta em debate logo depois da estréia da série. Gay ou não, o fato é que ele está longe de ser o único protagonista do debate sobre a homossexualidade no mundo da fantasia...


Outro dia, numa reunião de trabalho, uma especialista no debate sobre as questões relativas ao gênero sapecou, na lata: "Aquele tubarãozinho do filme 'O Espanta-Tubarões é gay!'".
Vi a animação. E fiquei chocado com a minha inocência em relação à orientação sexual do protagonista. Tudo bem que tinha achado que o bicho (eu disse bichO!!!) era meio diferentão...mas em momento algum me passou pela cabeça que aquela tubarão quisesse ser moréia!!!
Diante da minha surpresa, a especialista seguiu tirando uma série de personagens do armário: "Aquele bichinho do Madagascar também é!"; "Jay Jay, o jatinho é outro!"...e por aí fomos nós...
De repente, acabei passando a achar que devo ter desenvolvido - sei lá o porquê - uma espécie de redoma que não me permitia ver com esses olhos - ou com os olhos de quem só pensa naquilo - características relacionadas à sexualidade dos personagens infantis.
Ontem, conversando com um grande amigo, ele disparou: "A She-Ra queria ser o He-Man e o Príncipe Adam é uma moça, com aquele cabelinho chanel. Coiote e Papa-léguas também, uma tremenda viadagem! Sem falar no Pica-pau, que usa qualquer pretexto pra se montar..." Todas as revelações me arrancavam risadas, mas eu seguia na minha, ouvindo. E ele seguia em frente: "O Bob Esponja é mulher! Ah, lembra da Caverna do Dragão? Aquele Diana é um homem! E aquele garotinho loiro é uma mocinha! Sem falar no Vingador, que parece até um destaque de escola de samba!"
Continuei pensando no assunto. E a coisa foi ficando ainda mais colorida na medida em que eu lembrava dos desenhos animados da minha época. Quer exemplos? Os Ursinhos Gummy. Os Smurfs. A Velma, do Scooby Doo. A Tila, do desenho do He-Man. Enfim, praticamente uma parada gay do mundo do faz-de-conta...
Depois, passei a achar que isso é coisa de adulto, acostumado a ver maldade / sacanagem em todos os cantos. E o grilo ficou em minha mente. Portanto, ponha a boca no mundo, caro leitor! O que você pensa a esse respeito?
E se quiser arrancar mais algum herói do mundo da animação do armário, sinta-se em casa aqui nos comentários, ok?

25.6.08

Intolerância: a pior das ignorâncias

Um grupo de evangélicos tentou invadir o Congresso para protestar contra a aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia no Brasil. Os protestantes - aqui, com duplo sentido - alegam que querem ter o direito de criticar a homossexualidade.
O que é isso, minha gente?
A matéria da Folha é chocante! Um dos trechos traz a polêmica declaração de um pastor da Assembléia de Deus, Jabes de Alencar. Segundo o jornal, o religioso teria dito: "Senhor, sabemos que há uma maquinação para que esse país seja transformado numa Sodoma e Gomorra. Um projeto desses vai abrir as portas do inferno".
Eu pergunto: se essa declaração não é discriminatória e preconceituosa, como ela pode ser classificada? O que estaria o pastor pregando ao dizer isso?
Eu respondo: certamente, não era o amor e a igualdade entre todos os filhos de Deus.
Os seguidores dessas religiões alegam que querem ter preservado o direito à crítica ao que insistem em chamar de 'homossexualismo'.
Crítica? Não são os mesmos evangélicos que, vira e mexe, sentem-se alfinetados por parte da mídia? Não são eles mesmos que pedem respeito para suas crenças - e o fazem com legitimidade? Não são os evangélicos que se organizaram politicamente, inclusive, para garantir preservados e respeitados os interesses ligados à fé cristã?
E como entender que esses que tanto se dizem vitimados pelo preconceito, querem impedir a aprovação de uma lei que quer, exatamente, combater esse mal? No Brasil, há centenas de homossexuais assassinados todos os anos apenas pelo fato de serem homossexuais. Não criminalizar a homofobia é, entre outras coisas, aprovar os que matam em nome dessa discordância em relação à orientação sexual de quem quer que seja. Não criminalizar a homofobia é concordar com o preconceito e com a discriminação que, tantas e tantas vezes, mancham de vermelho-sangue as páginas dos jornais e a história desse país.
Utilizar o pretexto da liberdade de expressão para não criminalizar a homofobia é, a meu ver, covardia. Uma covardia perigosa, que pode servir de argumento para quem quiser criticar e/ou ser contrário à miscigenação, por exemplo. Ou para quem cismar de criticar as religões alheias. Será que é preciso lembrar de quanto os judeus já sofreram por isso?
Lamentável!

14.8.07

'Gente estúpida! Gente hipócrita!' *

Gianecchini e Richarlyson: foco da mídia e da opinião pública parece estar, agora, na sexualidade dos dois. Será que está faltando assunto num país como o Brasil?

E agora a bola da vez é o Reynaldo Gianecchini. Cismaram de perseguir o cara e de querer saber quem é que ele tá "panhando", como se diz na periferia da periferia carioca. E não basta saber de quem se trata; o povo da mídia agora parece interessado em saber o sexo da nova companhia do galã.
Li na semana passado, na coluna da Mônica Bergamo, um trecho de uma entrevista do ator na Revista TPM desse mês. E concordo exatamente com o que ele disse lá. Esse papo de querer saber quem "fulano está comendo" é cafona demais! E tão cafona quanto é essa curiosidade doentia por saber se fulano tá comendo homem ou mulher. Aí, vem alguém e diz que "os fãs" querem saber esse tipo de coisa. Pera lá! "Faiz favoire", como diriam os patrícios (aliás, um abraço aos portugueses que sempre passam por aqui). Fã que é fã tem que se contentar em saber que seu ídolo está feliz, tem que curtir o trabalho que ele faz. Isso basta! Isso é ser fã! Passando desse ponto, o que se tem é bisbilhotice boba, gratuita e dispensável!
Mais importante do que essa futricagem boboca é a indignação que todos nós - seres humanos - deveríamos sentir diante da tal sentença do juiz (?) da 9ª Vara Criminal de São Paulo, Manoel Maximiano Junqueira Filho, que resolveu arquivar o processo movido pelo jogador Richarlyson, do São Paulo, contra um dirigente do Palmeiras que, em um programa de televisão, insinuou que o atleta era homossexual. O caso, que eu já tinha julgado absurdo antes, agora passa a ganhar elementos típicos do surrealismo.
Um juiz proferir uma sentença afirmando que "não poderia jamais sonhar em vivenciar um homossexual jogando futebol", em pleno século 21, merece que tipo de reprimenda? Aliás, quais os critérios utilizados para tornar esse cidadão um juiz? É gente desse tipo que faz a justiça andar em nosso país? Se for, boa parte dos problemas com esse Poder estão mais claras pra mim...
O despacho do tal magistrado é o maior contra-exemplo que já vi quando o assunto é o respeito às diferenças! Ou, traduzindo: é uma aula de preconceito e homofobia! E, se não bastasse, esse senhor equivocado ainda fez uso da toga para aconselhar o Richarlyson, dizendo que, se fosse homossexual, seria mesmo melhor que o jogador deixasse os gramados. Peraí...assim não pode, assim não dá!
A sexualidade do atleta, assim como a do Reynaldo Gianecchini e a de qualquer reles mortal desse mundão de meu Deus não interessa a ninguém! E não é impeditivo algum para que qualquer cidadão, bi, tri, hetero, homo, pan, penta ou seja lá de qual orientação sexual seja desempenhar qualquer atividade profissional. O que é impeditivo, quando pensamos na evolução de nossa sociedade, de nossos conceitos, é saber que decisões importantes estão nas mãos de mentes atrasadas e cheias de preconceitos como a desse juiz.
Domingo, no Fantástico, o Richarlyson disse que não é gay. E se dissesse o contrário? Fico me perguntando o que aconteceria. Como a nossa sociedade reagiria? E qual o preço de uma revelação desse tipo na vida de um indivíduo publicamente conhecido? Não sei, mas suponho que seja (ainda) um alto preço. Porque aqui, no Brasil, há muita gente que pauta a conduta moral das pessoas pelo que julga certo e errado na hora da cama (um dos poucos momentos em que não há certo e errado, não é, minha gente?). E é essa gente atrasada que olha pro rabo dos outros e esquece de vigiar o seu próprio, como naquele provérbio dos macaquinhos. É essa gente atrasada que perde tempo lendo fofoca de artistas em vez de se informar sobre o que seria certo ou errado para o nosso país, para o país que queremos deixar aos nossos filhos. É essa gente atrasada, enfim, que, com atitudes como a desse infeliz juiz, contribui para que mais e mais crimes de intolerância continuem a matar gays ao redor de todo o planeta...


* Se você achou o título familiar, tem mesmo razão. Ele é parte do refrão de 'Nos Barracos da Cidade', canção de Gilberto Gil e Liminha.

29.6.07

A polêmica da vez...

Esporte e fofoca são dois filões que ajudam a vender muito jornal país afora. Filões que rendem audiência na televisão e milhões e milhões de page views na internet. Desde o início da semana esses dois filões se encontraram numa mesma notícia: o suposto desejo de um jogador de futebol supostamente gay que estaria disposto a assumir em rede nacional a sua orientação sexual. Pronto: colunas de fofoca e página de cobertura esportiva passaram a dedicar cada vez mais espaço ao tema.
Até que, num programa de televisão, um dirigente do Palmeiras "deixou escapar" a suposta identidade do atleta: seria Richarlyson, do São Paulo. A "gafe" do cartola acendeu de vez a polêmica em torno do assunto. E o caldo entornou de vez...! Primeiro, porque ainda que a revelação do dirigente palmeirense seja verdadeira, ela é descabida! Não cabe a ninguém revelar algo tão íntimo sobre a vida de outra pessoa dessa forma: na televisão, para todo o país. E, segundo, porque nas águas do cartola linguarudo e pressionadas pela mídia, pessoas próximas do atleta colocado na berlinda têm dado declarações que podem ser consideradas o supra-sumo da homofobia. O empresário de Richarlyson disse: "Quem não deve não teme. Não existe a mínima possibilidade de esse jogador ser o Richarlyson. Conheço a família dele, sua índole e seu caráter há 11 anos, desde que ele começou a jogar". Li a frase e fiquei me perguntando o que índole e caráter têm a ver com a orientação sexual de alguém...
Há ainda uma segunda declaração esquisita. Mas compreensível: numa situação dessas, a família do esportista acaba indo parar no olho de um furacão. E, procurada pela imprensa para falar a respeito, a mãe do meia acabou por arrumar um problema com os que tentam combater os preconceitos: "Meu filho não tem esse problema. Eu sei que ele não tem", disse dona Maria de Lourdes.
Acho a história toda lamentável. E olha que parei nos fatos, deixando de lado a boataria que também já ganha vulto na internet. Não duvido que o atleta passe, em breve, a ser hostilizado durante as partidas de futebol. Só espero que a mídia aproveite, antes disso, a oportunidade de fazer uma cobertura séria e construtiva de um assunto que também é sério: o preconceito que ronda e ameaça os atletas homossexuais.
E no mais, torço para que o Richarlyson meta uns bons processos em todo o mundo que andou falando da vida dele, caso essas especulações sejam ou não verdadeiras. O brasileiro precisa aprender que Deus nos deu apenas uma vida para que cada um cuide da sua...

15.5.07

Polêmica-sem-fim???

"Em momento nenhum estou faltando com respeito aos homossexuais, só estou defendendo um direito que tenho de expressar minhas opiniões." Essa é uma das muitas frases que o leitor Rodrigo Bahiense escreveu em seu mais novo comentário aqui no B@belturbo. Ele também me agradece pelo debate, e me cabe dizer que não há razão para agradecer. Acho que é exatamente isso o que falta em nossa sociedade: debate! Sobre tudo! Uma sociedade com medo de expor, refletir e dialogar sobre suas mazelas é, a meu ver, apenas um projeto de sociedade...
Mas vamos a mais um trecho do comentário do Rodrigo: "Nenhuma lei humana é capaz de dizer o que é eticamente correto para ninguém. Se uma lei afirma que o homossexualismo é correto, ou o aborto é correto, ou mesmo a eutanásia, essa lei por si mesma já nasce insuficiente. Ao contrário do que você pensa, o cristianismo oferece uma liberdade com consciência. O cristianismo afirma que tudo é permitido, mas nem tudo lhe convém. Entendemos isso de forma individual, interior, em nosso relacionamento diário com Deus. Por isso o cristianismo também fala que não devemos julgar ninguém. Como podemos julgar os pensamentos de alguém? Não podemos. Nesse caso quem poderia? Somente Deus pode.".
Ok, Rodrigo. Deixo claro aqui que respeito o cristianismo e, além disso, não nego as influências dele para a construção de valores éticos em nossa sociedade; influências que não são apenas oriundas dessa matriz religiosa: em todas as sociedades do mundo, a religião dita como predominante contribui nesse sentido. Agora, se o cristianismo, como você diz, "afirma que tudo é permitido" e, ainda de acordo com o seu texto, "(...) o cristianismo também fala que não devemos julgar ninguém", não entendo a razão de ser contra uma lei que quer combater a homofobia apenas alegando o direito de manifestar publicamente uma opinião contrária à homossexualidade. Se, como você bem disse, as conclusões acerca do que é certo e errado são individuais no cristianismo - e me cabe citá-lo novamente: "(...) é individual, interior, em nosso relacionamento diário com Deus", qual o interesse de opinar publicamente contra os homossexuais e contra a orientação sexual deles? E aqui, devolvo uma frase que você mesmo elaborou no seu comentário: "o cristianismo também fala que não devemos julgar ninguém". Se você vai opinar contra, é porque julgou. Será que isso não iria contra os próprios preceitos do cristianismo?
Não estou contra esta ou aquela corrente religiosa: respeito todas. Mas em nome do que se diz dentro das igrejas, muita gente acaba se tornando vítima de crimes nesse país. Dos mais "bobos", como as piadinhas e os risinhos de condenação e deboche, até crimes bárbaros, que atentam contra a integridade e a vida de cidadãos que não são de segunda categoria: são cidadãos como eu, como o Rodrigo, e como todos os outros. O direito a condenar publicamente ou a expressar a "opinião contrária" com relação aos homossexuais é, sim, uma forma de perpetuar o preconceito. Seguindo essa lógica, quem tiver a opinião de que os negros são "cidadãos de segunda categoria" poderá lutar para expressá-la em público. Isso não é preconceito? É! E é, também, um retrocesso! Não acho que todos devam concordar com relação a esta ou a outra polêmica. Mas devem, sim, respeitar o outro. E se acharem esse outro errado ou, como tantos acham, condenável; que tenham a sabedoria de guardar para si suas opiniões que, certamente, em nada contribuem para que se tenha uma sociedade melhor.
E as coisas da fé, Rodrigo, a gente deixa com Deus. Creio que não há ninguém melhor que Ele para administrá-las...! À você, mando um abraço! Volte sempre, também para comentar outros assuntos. Esse não é um blog-de-um-tema-só e, portanto, vou voltar à programação normal nos próximos posts, ok?
Agora é a vez dos outros leitores. Será que eles também querem meter a colher nesse papo? É só clicar e comentar!!!

13.5.07

Carta ao leitor...

Antes de mais nada, quero dizer que esse é, será e sempre foi um espaço livre para a manifestação de idéias e de opiniões. Não só minhas como a de vocês, que me honram com suas visitas e com seus comentários. Mas este é um blog de alguém que tem um comprometimento com o respeito às diferenças; de alguém que acredita que a beleza da vida em sociedade está na
heterogeneidade - na força que nos faz complementares, mesmo sendo todos tão diferentes como somos. Por essa - única - razão, sinto-me obrigado a replicar sempre que algum comentário - direta ou indiretamente, intecionalmente ou não - acabe resvalando para uma abordagem que possa ferir esses valores.
Três recentes posts aqui do B@belturbo abordaram conceitos e dogmas de duas diferentes igrejas: a Católica e a Universal. Posts que tiveram repercussão e que acabaram por lançar luz sobre algumas das grandes polêmicas atuais: o uso de preservativos - condenado pela Igreja Católica - e os preconceitos contra os homossexuais.
Rodrigo Bahiense comentou em pelo menos dois desses posts. Eis o que disse o leitor numa de suas mensagens: "O que não concordo é que nos obriguem a aceitar o homossexualismo como natural do ser humano, e pior do que isso, com as novas leis não podemos sequer passar aos nossos filhos o que achamos coerente com pena de sermos processados".
Rodrigo, como você, também não acho o homossexualismo natural do ser humano. Há animais - de outras espécies - que também têm essa orientação - e a Ciência ainda não explicou se trata-se de uma conduta adquirida ou se ela é congênita. Agora, ao que me consta, ninguém quer obrigar ninguém a aceitar nada. Trata-se apenas de respeitar! Respeitar o outro, respeitar a condição do outro; como eu, você e tantos outros heteros, bi, pan e multi-sexuais devemos e merecemos ser respeitados. Com os homossexuais, honestamente, não vejo o porquê de ser diferente. Quanto ao receio de "passar aos filhos o que achamos coerente", não sei se te desanimo, mas devo dizer que não conheço, até hoje, um pai que tenha dito ao filho para ingressar no mundo da homossexualidade. Porque essa não é uma orientação que se dê, é algo muito pessoal, que cada indivíduo vai elaborar da forma como lhe parecer melhor. E vice-versa: dizer ao filho para não ser gay não me parece o suficiente para que alguém que tenha essa orientação, essa pulsão, deixe de sê-lo; para que deixe de buscar sua felicidade. E isso independe do desejo - e da aprovação - do pai, da mãe, da Igreja, ou de quem quer que seja.
O mesmo leitor, em outro post, comenta sobre a postura da Igreja Católica, respondendo ao texto A Igreja parou no tempo. Rodrigo diz concordar "quando o Papa afirma que a Igreja procura qualidade e não quantidade". Rodrigo, o próprio Papa cobrou mais empenho da cúpula da Igreja, aqui no Brasil, para conter a perda de fiéis: "Trata-se efetivamente de não poupar esforços na busca dos católicos afastados e daqueles que pouco ou nada conhecem sobre Jesus Cristo", disse Bento XVI, e essas não me parecem palavras de quem quer apenas qualidade. Falo isso sem querer arranhar a imagem do Sucessor de Pedro; trata-se apenas de uma constatação: as igreja são feitas de e por pessoas e - independente de qual religião estejamos falando - são essas mesmas pessoas que sustentam essas instituições.
Justificar o aparecimento da Aids como "uma doença de uma sociedade moderna" também me parece um raciocínio pouco robusto. Lá pelo século XVII, a sífilis já matava muita gente. E trata-se de uma DST também. Tenho pra mim, Rodrigo, que as pessoas sempre farão sexo antes, durante e depois do casamento. E, em muitos casos, até mesmo fora dele! E isso independe de suas crenças religiosas.
No mais, reafirmo: acho imprudente que a Igreja continue condenando o uso dos preservativos. Rodrigo Bahiense discorda: "A Igreja proíbe o uso da camisinha, não para ser vilã, mas para mostrar que esse modelo de sociedade estava errado, causou e está causando a morte de milhares de pessoas pelo mundo". E eu tenho uma visão diferente da defendida pelo meu leitor. Creio que a Igreja - vilã ou não - precisa se modernizar, não só para evitar a perda de fiéis como para manter viva a Palavra de Deus - que é razão primeira de sua existência. E isso não é ser politicamente correto, é enxergar a complexidade do mundo em que vivemos e lutar para que as condições, mesmo que não sejam as ideais, possam favorecer uma existência em harmonia, que favoreça a busca pela paz, pela tolerância e pelo amor. Valores que não serão construídos enquanto alimentarmos as diferenças, inflando dogmas ultrapassados e, muito menos, enquanto virarmos as costas para a realidade contemporânea.
Para finalizar, agradeço ao Rodrigo e a todos os outros leitores que comentam os posts! Voltem sempre!!!
E a todas as mães do Brasil e do mundo, parabéns pelo dia de hoje!!!