1.5.07

Davi x Golias? Que nada!!!

Entrevista no "Programa do Jô" se transforma num embate entre o apresentador e o senador evangélico. Jô levou a melhor, mas não se pode dizer que essa tenha sido uma grande entrevista...


Já fui um telespectador mais assíduo do "Programa do Jô". Tenho achado a pauta meio caída e, pelo que sei, a audiência não anda muito diferente. Devo dizer que não acho que o Jô faça entrevistas propriamente. Creio mais que tudo ali seja um show, e que, muitas vezes, os convidados acabam servindo de escada pra ele. E essa não é uma crítica, vejo só como uma adaptação do Jô para o gênero talk-show.
Pois bem. Eis que hoje, um amigo me avisa para ligar a TV na Globo. De um lado, o senador Marcelo Crivella. Do outro, Jô Soares. Peguei o bonde andando, confesso, e meu amigo me avisa que o senador, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, apresenta um proposta que estende os benefícios da Lei Rouanet para as igrejas. Mais fonte de renda para as igrejas?, penso. Já não basta tudo o que os fiéis depositam nas sacolinhas da vida? Eu hein!
Aí, caro leitor, admito que o blogueiro aqui foi fisgado pelo papo. Jô não fez questão de demonstrar nenhuma simpatia pelos ideais de seu entrevistado. Muito pelo contrário! E a rusga ficou ainda mais evidente quando o apresentador mencionou mais uma bandeira do bispo-senador, que é contra o projeto de lei que pretende punir a homofobia. "O projeto anti-homofobia proíbe que se critique o homossexualismo e eu sou contra (a proibição)", justifica-se o entrevistado. É a deixa para Jô cair de pau em cima dos (frágeis) argumentos de Crivella. "Pra mim (homossexualidade) não é natural, pra mim é pecado", ele diz, para ouvir, logo em seguida, Jô disparar: "Não vejo ninguém lá em cima barrando quem é viado!". A platéia foi abaixo! Ponto para o apresentador.
A entrevista (ou debate?) continua com Crivella acanhado, visivelmente constrangido por precisar defender os dogmas de sua igreja. Alguns, quase indefensáveis. Jô Soares, por sua vez, acaba se excedendo e chega a impedir o convidado de falar. "Assim fica difícil", queixa-se o senador. "Reconheço que me excedi", desculpa-se o entrevistador.
Perguntado sobre seu projeto de controle de natalidade, Crivella explica mais um de seus questionáveis pontos de vista. Para o senador, jovens de baixa renda deveriam se esterelizar. Jô cita a Escrituta Sagrada: "E o crescei e multiplicai-vos?". "Crescei e multiplicai-vos desde que possa criar seus filhos", rebate o senador. "Ah, mas isso não está escrito na Bíblia", devolve o dono do talk-show.
A platéia ovaciona cada tirada debochada do entrevistador. No fim, piadas sobre a estadia do convidado na África para amenizar o tom do embate. Cá da minha poltrona, guardo duas impressões sobre o que acabo de ver: a primeira, de que o senador precisa urgentemente crer mais no que defende, argumentar melhor sobre suas idéias e, por fim, assumir que está ao lado de sua igreja e dos dogmas que a constituem. A segunda impressão confirma a opinião do primeiro parágrafo desse post: o "Programa do Jô" não é um programa de entrevistas. É um show feito para Jô brilhar.
E, nessa noite, ele brilhou...
Postar um comentário