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3.10.08

Sobre o (polêmico) novo astro das madrugadas da Band...

Outro dia, zapeando pela TV aberta, eu me deparei com um homem gritando na tela da Band. Era um senhor, de terno e gravata, berrando num palco, cercado de telões. Como não tardou para ele falar em Jesus, logo liguei o nome à pessoa: era o pastor Silas Malafaia.
O gerador de caracteres informou que o programa tinha sido gravado em Porto Alegre. Era noite e chovia, e mais intrigado ainda fiquei diante da força do orador, que colocou os gaúchos pra orar no frio, sob a chuva. E todos pareciam bem empolgados, apesar do clima adverso.
Juro: fiquei espantado! Primeiro, com os tons altíssimos alcançados pela voz do pastor. Aliás, diga-se de passagem, nesses momentos de mais furor evangelizador, o culto ganha até ares de comédia! Juro que ouvi muita gente rindo no meio da pregação. E não era pra menos: a voz estridente do pastor soa mesmo muito engraçada!
Silas Malafaia é arrendatário das madrugadas da Band. Aliás, alguém sabe se a programação evangélica vai ao ar depois do lendário Cine Privê, aos sábados? Se for, taí mais uma piada pronta!!!
O pastor é polêmico e eu descobri isso pesquisando no YouTube e no Orkut. Nesse vídeo aqui, por exemplo, ele defende o direito de se expressar contra a homossexualidade.
Mas o pastor, minha gente, é um figurão! No Orkut, são várias as comunidades dedicadas a ele. Algumas, beirando os 100.000 integrantes. Confesso: fiquei com medo de uma que prega "Silas Malafaia para presidente". Só relaxei depois de ver que são menos de 1.000 os entusiastas da idéia...
Com pouco mais de 780 membros, outra comunidade atesta que o pastor ficou meio esquisitão sem bigode. Mas os seguidores fazem uma ressalva: "a unção do Senhor continua nele". Com ou sem unção, o fórum tem um tópico bem interessante, pedindo pela ressurreição do polêmico bigode do pastor...
Cerca de 370 pessoas se agruparam em outra comunidade. Anunciam apoio a Silas Malafaia, e se justificam: "abominam o homossexualismo, e não o homossexual".
No terreno democrático do Orkut, há também a surpreendente: "No inferno com Silas Malafaia", que reúne cerca de 90 integrantes "descontentes com os métodos de evangelização" do pastor.
Sem falar nas várias comunidades que sugerem que a Globo contrate o pastor. Ou que, ao menos, Jô Soares leve o polêmico evangelizador ao seu talk-show.
Não tenho o menor preconceito contra os evangélicos. Acho que toda e qualquer manifestação de fé é válida, respeitadas a diversidade e as opiniões de cada grupo que compõe a sociedade. Mas, assumo: não sou o maior fã desses cultos televisivos - e nem de missas, antes que me acusem de estar sendo preconceituoso. Sempre que vejo uma "liderança" como a do pastor Silas Malafaia surgir e ganhar força, vem logo à minha mente a seguinte imagem:

Bom, mas se você é destemido e ficou interessado no discurso de Silas Malafaia, o programa ao qual me referi é o Espaço Vida Vitoriosa, exibido nas madrugadas da Band...

11.8.08

Da série: "a luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá..." 12

Essa história do pastor que acusa Xuxa de ter vendido a alma ao diabo, publicada hoje pela Mônica Bergamo, é mais velha do que andar pra frente! Mas, já que a colunista resolveu remexer nesse angu passado, dou o meu pitaco: Josue Yrion me pareceu um daqueles campeões em charlatanismo! A abordagem dele não chega, em nenhum momento sequer, a parecer coisa de gente séria e comprometida com a fé.
No YouTube, o tal pastor aponta sua metralhadora de mágoas para os desenhos da Disney - ele diz, entre outras coisas, que há um falo apontado pra cima na capa de A Pequena Sereia - para os games preferidos das criançadas - acusados, por Yrion, de serem causadores de epilepsia incurável - para os Simpsons - "Simpsons é do diabo!" - e para a loira mais famosa do Brasil.
Sinceramente, dá nojo de ver como tem gente criminosa que se aproveita da fé alheia em troca de promoção! Entre outros absurdos, ele diz que Xuxa doa sangue para a Igreja do Satanás duas vezes por ano. E que viu um filme onde a apresentadora dorme com seu próprio filho. Pelo visto o pastor não entendeu a história de Amor Estranho Amor, e acabou misturando ficção e realidade...
Não posso levar a sério alguém que diz que uma boneca matou uma criança, minha gente! E que, ainda por cima, confessa ter esquartejado o brinquedo e ouvido um grito de pavor emanar do meio de braços e pernas de plástico. Sinceramente, é um pouco demais pra mim!´
À coluna da Mônica Bergamo, a assessoria de Xuxa declarou que "não vai comentar essas barbaridades". Não há mesmo o que comentar! É processo nele! Daqueles de arrancar até as calças! Daqueles de fazer até fechar a igreja que, certamente, ele deve ter criado alicerçada na fé - e na grana - alheias...
Absurdo!
Ah, e se por acaso alguém der uma olhada nos vídeos, pode me explicar o porquê do pastor misturar português, espanhol e inglês nas pregações, tá?

1.5.07

Davi x Golias? Que nada!!!

Entrevista no "Programa do Jô" se transforma num embate entre o apresentador e o senador evangélico. Jô levou a melhor, mas não se pode dizer que essa tenha sido uma grande entrevista...


Já fui um telespectador mais assíduo do "Programa do Jô". Tenho achado a pauta meio caída e, pelo que sei, a audiência não anda muito diferente. Devo dizer que não acho que o Jô faça entrevistas propriamente. Creio mais que tudo ali seja um show, e que, muitas vezes, os convidados acabam servindo de escada pra ele. E essa não é uma crítica, vejo só como uma adaptação do Jô para o gênero talk-show.
Pois bem. Eis que hoje, um amigo me avisa para ligar a TV na Globo. De um lado, o senador Marcelo Crivella. Do outro, Jô Soares. Peguei o bonde andando, confesso, e meu amigo me avisa que o senador, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, apresenta um proposta que estende os benefícios da Lei Rouanet para as igrejas. Mais fonte de renda para as igrejas?, penso. Já não basta tudo o que os fiéis depositam nas sacolinhas da vida? Eu hein!
Aí, caro leitor, admito que o blogueiro aqui foi fisgado pelo papo. Jô não fez questão de demonstrar nenhuma simpatia pelos ideais de seu entrevistado. Muito pelo contrário! E a rusga ficou ainda mais evidente quando o apresentador mencionou mais uma bandeira do bispo-senador, que é contra o projeto de lei que pretende punir a homofobia. "O projeto anti-homofobia proíbe que se critique o homossexualismo e eu sou contra (a proibição)", justifica-se o entrevistado. É a deixa para Jô cair de pau em cima dos (frágeis) argumentos de Crivella. "Pra mim (homossexualidade) não é natural, pra mim é pecado", ele diz, para ouvir, logo em seguida, Jô disparar: "Não vejo ninguém lá em cima barrando quem é viado!". A platéia foi abaixo! Ponto para o apresentador.
A entrevista (ou debate?) continua com Crivella acanhado, visivelmente constrangido por precisar defender os dogmas de sua igreja. Alguns, quase indefensáveis. Jô Soares, por sua vez, acaba se excedendo e chega a impedir o convidado de falar. "Assim fica difícil", queixa-se o senador. "Reconheço que me excedi", desculpa-se o entrevistador.
Perguntado sobre seu projeto de controle de natalidade, Crivella explica mais um de seus questionáveis pontos de vista. Para o senador, jovens de baixa renda deveriam se esterelizar. Jô cita a Escrituta Sagrada: "E o crescei e multiplicai-vos?". "Crescei e multiplicai-vos desde que possa criar seus filhos", rebate o senador. "Ah, mas isso não está escrito na Bíblia", devolve o dono do talk-show.
A platéia ovaciona cada tirada debochada do entrevistador. No fim, piadas sobre a estadia do convidado na África para amenizar o tom do embate. Cá da minha poltrona, guardo duas impressões sobre o que acabo de ver: a primeira, de que o senador precisa urgentemente crer mais no que defende, argumentar melhor sobre suas idéias e, por fim, assumir que está ao lado de sua igreja e dos dogmas que a constituem. A segunda impressão confirma a opinião do primeiro parágrafo desse post: o "Programa do Jô" não é um programa de entrevistas. É um show feito para Jô brilhar.
E, nessa noite, ele brilhou...