29.6.08

Juventude roubada...

Na madrugada de sábado, eu estava numa boate carioca. Rodeado de amigos, festejava o aniversário de um deles num clima de alegria, curtição, paquera e ao som de muita música boa.
Na madrugada de sábado, Daniel Duque, de 18 anos, também estava numa boate carioca. Também estava rodeado de amigos e, como eu, festejava o aniversário de um deles. Certamente o clima era tão bom quanto o da noite que passei.
A diferença é que eu cheguei em casa. Cansado, depois de um dia de trabalho e uma noite inteira de curtição.
Mas vivo.
Ao chegar em casa, encontrei minha mãe de braços abertos me esperando.
A mãe de Daniel teve de enfrentar a pior das dores que o destino pode oferecer a quem tem a graça de gerar outra vida. Braços cruzados sobre o peito, rosto desfigurado pela dor, viu seu menino baixar à sepultura e chorou pelos sonhos de toda uma existência abreviada pelo estampido seco de uma arma de fogo.
A história do Daniel é um tapa na cara de todos nós. Foi ele, mas poderia ter sido eu. Poderia ter sido um dos meus amigos. Poderia ser você, que me lê agora. Foi na Zona Sul, mas poderia ser numa comunidade qualquer - onde tantos jovens também perdem o jogo da vida para um apertar de gatilho. Foi com um jovem loiro, poderia ter sido um negro. Ou índio.
Não importa.
O que importa é que os jovens são as maiores vítimas da violência no país. Jovens sonhadores, cheios de planos e de garra para realizá-los, que estão sendo surrupiados da nação na calada das madrugadas, nas saídas das boates, no trânsito, nas vielas e becos, nos rincões desse Brasil imenso. Gigante pela própria natureza, que pode perder a oportunidade de espelhar essa grandeza em teu futuro...
Porque sem jovens, não haverá futuro.
Uma pena!
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