19.6.08

A-ha, U-hu! A violência é nossa!!!

Ontem eu apresentei um debate maravilhoso, no "Salto", sobre a questão da violência - na sociedade, de forma geral, e na escola, em particular. Usamos o plural - violências - pois são muitas as formas de violência presentes tanto em um quanto em outra. O debate foi fantástico, porque jogou luz sobre os preconceitos que, por vezes até incoscientemente, nutrimos contra os moradores de favelas - ou comunidades populares - e sobre as formas, nem sempre veladas, de discriminação utilizadas quando queremos justificar que essa população seja vítima de uma violência que legitimamos cada vez mais: a violência das forças policiais.
Num dos intervalos, disse aos entrevistados que o tema violência sempre rende debates fantásticos, o que é um paradoxo: esse é um tema que ninguém gostaria de discutir, não por negá-lo, mas por ser do desejo de todos que ele não seja mais algo tão presente em nossas vidas.
Lamentavelmente ainda estamos longe dessa utopia...
Hoje, abro os sites de notícias e me deparo com mais desdobramentos do caso dos militares que entregaram jovens para os traficantes do Morro da Providência, no Rio de Janeiro. Uma insanidade, uma covardia, uma vergonha para o país e para todos aqueles que vestem ou que vestiram honradamente a farda camuflada em tons de verde. A atitude desses militares merece todo o repúdio da sociedade! E de toda a sociedade! Não apenas dos moradores da Providência - os principais atingidos por essa barbárie - mas de todos nós "do asfalto". Essa cidade partida, cujo abismo entre as duas partes nós mesmos ajudamos a cavar ainda mais diariamente, só vai se unir quando nós, cariocas, deixarmos de lidar com dois pesos e duas medidas diante de notícias como essa. Ou alguém duvida que a coisa estaria em outro nível se, em vez de três jovens da favela, os militares tivessem feito um delivery para os traficantes com três moradores de condomínios da Barra da Tijuca?
Pensemos todos...
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