15.6.08

As flores-de-maio...

Estava sozinha a velha senhora de vestido amarelo, pés descalços e rosto banhado por lágrimas. Chorava pelo filho, levado pela vida para outros braços, longe de seus abraços, de seus conselhos e de sua proteção. Julgava ser a melhor companhia para o jovem que o tempo tratou de tornar rebelde.
Solitária, sentia o golpe daquela separação como se fosse uma punhalada no peito. Peito de mãe que escolhe e acolhe o filho de outra, apenas para livrá-lo da sina de ter a vida abreviada antes mesmo de poder ter noção do que significa viver.
Ao filho que o destino pôs em seu caminho, dera tudo: amparo, teto, amor, cuidado. Não pedira nada em troca, nunca. Mas não contara que, um dia, a vida os pusesse em estradas tão diferentes.
No quintal da casa, tomado por folhas secas caídas das árvores da vizinhança e espalhadas pelos ventos do outono, conservava um vaso bem cuidado. Nele, as flores que tinham no nome o mês das mães pendiam sobre o nada, em suspenso - como ficara o seu coração de mãe desde que seu menino havia decidido sair de casa. Passava pelas flores e as acariciava delicadamente. Quando tinha com quem falar, dizia que havia colocado o vaso ali, na entrada da casa, para que todo mundo pudesse apreciar.
Não era verdade. A única pessoa de quem esperava apreciação agora estava longe. E era seu amado filho...
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