28.1.08

Igreja Católica (de novo) atravessa o samba (e o frevo) no carnaval...

É comum a gente meter o pau nos governos, nos políticos e em todos os responsáveis por tudo o que nos desagrada. Mas me parece interessante reconhecer o bom senso, as boas idéias e os bons combates em favor de uma sociedade melhor. Por isso, deixo registrado aqui um elogio à postura do Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que não se intimidou diante das pressões da Arquidiocese de Olinda, contrária à distribuição, pelo serviço municipal de saúde, da pílula do dia seguinte durante o carnaval.
Achei a postura do Ministro sóbria e combativa, colocando a Igreja em seu devido lugar. É claro que ninguém quer promover um carnaval do "vale tudo que a pílula tá garantida". A prefeitura de Olinda prevê a distribuição do contraceptivo de emergência em duas unidades de saúde e, ainda assim, apenas em casos de estupro e de relações sexuais indesejadas pelas mulheres - pra mim, aliás, apenas um eufemismo para estupro. E com a devida prescrição médica, ou seja: tudo muito justo e consciente, caso realmente essa regra seja seguida - e nos cabe cobrar que o seja.
O Ministro cunhou uma frase muito feliz: "É uma questão de saúde pública e não religiosa!". E é exatamente isso! Acho vergonhoso que uma instituição secular como a Igreja Católica, em pleno século XXI, ainda se mostre tão ranheta e distante da realidade do nosso tempo. Vivemos na era da informação e todos sabem que camisinha é fundamental, é questão de vida!
Isolada num tempo que não volta mais com ações dessa natureza, a Igreja em nada tem contribuído para que a questão da Aids, tão séria, seja enfrentada de forma racional, solidária e afetuosa. Como eu acho, aliás, que deveria ser o approach de uma religião que se pretende séria e antenada com os rumos da sociedade...
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