19.5.09

O agente de viagens babaca...

Terno azul marinho surrado, anel prateado no dedo, cabelo cheio de gel, espetado para o alto. Mais ou menos da minha idade, André me recebeu com um sorriso e apontou a cadeira para que me sentasse. Perguntou em que poderia me ajudar. E quando eu disse que estava pretendendo fazer uma espécie de mochilão por alguns países europeus, a coisa mudou de figura.
A simpatia - que, sim, já dera sinais de ser pra lá de forçada - foi pro saco. E a cada pergunta que eu fazia, o sujeito enfatizava: que aquele era o ônus de quem queria gastar pouco.
Fiquei irritado, mas não transpareci. Fiz todas as perguntas cabíveis e deixei a agência revoltado. Não por mim, que sou um cara esclarecido. Mas por pensar que aquele imbecil - que repete um tipo de preconceito do qual, certamente, já foi vítima - pode impor a pessoas de bem, corretas e cumpridoras de suas obrigações humilhações ainda piores. Talvez aja assim pra se sentir, de alguma forma, superior.
Eu não sou um ostentador, não me importo com griffes e nem faço questão de aparentar requinte. Sou um homem simples e trato todos da mesma forma; do carteiro que me traz as contas todo mês à mais famosa cantora do Brasil. Das maquiadoras aos diretores da emissora onde trabalho, passando pelos porteiros, pela equipe técnica e pelos colegas apresentadores. E talvez essa postura tenha feito o tal agente de viagens deduzir que não estou no rol dos que têm condições de viajar para a Europa. Vai ver ele acha que tem que ser escroto para passar férias no Velho Continente...
É mole?
Pensei em mandar um e-mail para a empresa que paga o salário desse mau funcionário. Pensei em me identificar e relatar, com detalhes, o ocorrido. Mas desisti. Gente babaca desse tipo a vida se encarrega de derrubar sozinha...
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