26.3.10

Sobre o julgamento dos Nardoni...

Acompanho as notícias sobre o julgamento do caso Isabela com a mesma ansiedade que tantos outros milhões de brasileiros. Cercado de mistério e com uma aura de crueldade, esse crime chocou a sociedade e isso explica, em parte, tamanha mobilização em torno do desfecho do caso.
Sobre fatos e versões, creio que haja pouco a ser dito. Se a opinião pública parece já ter condenado o casal, a defesa não parece ter sido hábil ao cunhar a tese de que uma terceira pessoa pode ter invadido o apartamento e cometido o crime. Ou seja: sobre os jurados paira a decisão de concordar com a opinião pública, condendando os réus, ou absolverem os dois e deixarem no ar um crime insolúvel - já que nada comprova a hipótese redentora de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá.
Um ponto que tem me incomodado um pouco nesse caso é o clime de final de campeonato na frente do fórum. É imperdoável que as pessoas gritem, xinguem e - pior - tentem agredir fisicamente o advogado de defesa. Ele é um profissional no pleno exercício de sua função. E esse tipo de comportamento selvagem em nada contribui para que o caso seja elucidado.
A condução dos trabalhos parece equilibrada, pelo que tenho ouvido e lido, inclusive no Twitter. E me refiro ao juiz, que fique claro. Por outro lado, creio que o clima de torcida na porta do fórum teria sido minimizado se a Justiça tivesse autorizado a transmissão do julgamento. Se não pela TV, ao menos pela internet. Por mais que se possa criticar tanto interesse público, é fato que as pessoas estão ansiosas por informações e, em pleno século XXI, parece um retrocesso evitar que as novas mídias possam ajudar a saciar essa sede por notícias. Alguns poderão dizer que uma eventual transmissão poderia transformar o julgamento num espetáculo. Sim, poderia. Mas isso também seria uma bela forma de analisarmos a maturidade dos profissionais da Justiça.
No entanto, de todos os fatos relacionados ao julgamento, nada me chocou mais que o isolamento imposto à mãe de Isabela, Ana Carolina Oliveira. Deixá-la sozinha numa sala, sem poder assistir ao julgamento que pode condenar os principais suspeitos da morte de sua única filha, embora uma solução legal, foi, também, uma grande crueldade. Sofrimento duplo pra essa jovem mulher.
Enfim, que a justiça se faça.
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