16.3.10

B@belturbo entrevista: Kibeloco

Os limites do humor em debate no B@belturbo...
Se a verdade é ácida e o kibe é cru, os internautas brasileiros nem querem saber. O que eles querem quando acessam o Kibeloco é rir! E é praticamente impossível que não matem essa fome de alegria quando se deparam com as tiradas boladas por Antonio Tabet, publicitário que se tornou uma das maiores celebridades da internet brasileira. O site, que é sinônimo de humor na grande rede, é fonte de 10 entre 10 piadas comentadas em escritórios, firmas, universidades e afins. Piadas que, quase sempre ilustradas com imagens igualmente divertidíssimas, rodam a web em e-mails e mais e-mails que arrancam gargalhadas dos destinatários.
Craque na arte de fazer rir, Kibeloco atualmente é redator do Caldeirão do Huck, na Rede Globo. E topou conversar com o B@belturbo sobre os limites do humor.

B@belturbo: Há limites para o humor?
Kibeloco: Acho que o limite vem do próprio humorista. Quando a piada perde a graça é porque chegou ao limite.

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Ou qual o tipo de piada mais polêmico? E qual a sua opinião em relação a esses tabus?
Kibeloco: Piadas envolvendo a raça negra são as mais polêmicas. Acredito que haja aí, também, um limite. Mas para os dois lados. Outro dia disse que a gordinha do filme "Precious" parecia a poltrona do confessionário do BBB. Isso não foi uma piada racista. Fiz apenas uma comparação visual. Mas houve quem reclamasse. Um movimento "coitadista" que é ainda pior para quem se considera segregado. Os que fizeram chilique, certamente são os mesmos que não reclamariam se eu dissesse, por exemplo, que o Tom Hanks parece uma espiga de milho. Bobagem pura. Hipocrisia. Falso moralismo. Afinal, o que é mais racista? Fazer piada com todas as raças ou não fazer com apenas uma delas?

B@belturbo: Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Kibeloco: Evito fazer piadas sobre assuntos que me comovem.

Antonio Tabet, o Kibeloco
B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Kibeloco: Cobrar? Não. Num mundo ideal, a sociedade pode escolher. Ou prestigia determinado humorista, ou não. E ponto final.

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa "patrulha do humor" e se queixam do chamado "politicamente correto". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Kibeloco: Sim. Concordo. Mas não é só o humor. Tudo é patrulhado, menos o que deveria. Por que os patrulheiros do humor não vão cobrar dignidade dos deputados em Brasília ou parar de furar filas por aí? Ajudariam bem mais.

B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Kibeloco: Quem se ofende facilmente é quem carrega em si o preconceito. E, por isso, são pouco inteligentes. Para um bom humorista, é fácil driblar os pouco inteligentes.

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Kibeloco: Meu.


NOTA: A entrevista foi concedida por e-mail e foi publicada na íntegra, sem edição.
Amanhã, no segundo post da série, você vai conhecer as opiniões de Fabio Porchat, ator e redator que integra o primeiro grupo de stand up comedy brasileiro, o Comédia em Pé.

Para entender a proposta da série Crise de Riso?, clique aqui.
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