18.6.09

Sobre a queda da obrigatoriedade do diploma de jornalista...

Se essa decisão sobre o diploma de jornalista tivesse saído há dez anos, certamente eu ficaria nervoso. Certamente estaria apreensivo, duvidando da segurança da carreira que escolhi. E, sim, temendo pelo meu futuro profissional.
Mas a decisão só veio ontem. E dez anos me separam daquele jovem cheio de gás pra começar na carreira, e igualmente cheio de incertezas, sonhos e medos. Uma década vivendo o jornalismo e do jornalismo. Convivendo com jornalistas e entendendo como funciona esse mercado. E foi essa experiência que me fez reagir com certa indiferença à decisão polêmica. E por quê?
Porque creio que essa polêmica vai ter um impacto muito diluído no mercado de trabalho para jornalistas. Até porque, essa mesma experiência profissional me fez ver que, hoje em dia, o diploma diz muito pouco sobre a capacidade e o talento de um jornalista. Já vi alguns jornalistas diplomados que são incapazes de escrever um texto decente, compreensível e correto. E isso sim me preocupa!
Além disso, acredito que o mercado vai preferir continuar contratando quem frequentou/frequenta os cursos de jornalismo. É assim em países como França e Estados Unidos, só pra citar dois exemplos.
Portanto, se você está cursando ou pensa em cursar Jornalismo, pense. Não no fato de poder vir a concorrer com profissionais de outras áreas no mercado de trabalho. Pense, sim, se você tem amor pela escrita e pela leitura. Se sabe usar bem as palavras, cuidá-las com o mesmo carinho que o médico dispensa ao bisturi. As palavras são o principal instrumento de trabalho do jornalista - e indifere se ele vai trabalhar num jornal, no rádio, na internet ou na TV, como eu. Muita gente acha que, pra trabalhar em televisão, basta ter um rostinho bonito. E se você compartilha desse pensamento, eu digo: tema a queda da exigência de diploma! Porque, mesmo com boa estampa, pode ser atropelado por um médico, um engenheiro, um advogado ou por qualquer outro profissional que seja capaz de escrever melhor que você!
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