2.3.08

"Comédia em Pé": pequenas histórias, grandes risadas...

Cáudio Torres Gonzaga, Fernando Caruso, Fábio Porchat e Paulo Carvalho fazer rir (muito) com espetáculo simples, despretensioso e divertidíssimo!


Programação alterada no meio da noite, geralmente, é um saco! Você se planeja pra sair, ver um determinado filme, por exemplo e, ao chegar ao cinema, descobre que a película escolhida saiu de cartaz. Ou já teve a última sessão do dia. Um porre, porque você tem que decidir em poucos minutos o que fazer , depois de ter passado a semana toda se preparando pra curtir o tal do cinemão.
É quase como pegar um avião e desembarcar num novo destino, sem aviso prévio...
Ontem, estava preparado para conferir mais uma apresentação de Fernanda Torres em "A Casa dos Budas Ditosos". Na bilheteria, descobrimos - e e os amigos que acabei encontrando lá, na mesma situação - que todos os ingressos já estavam esgotados.
Pânico coletivo! Pra onde vamos? Fazer o quê? Onde estamos? Quem somos?...
Até que, por obra do destino, encontramos jogado no meio do shopping o Segundo Caderno d'O Globo. É sério! Encontramos mesmo, assim, do nada! Lendo as opções de teatro pra região da Barra, encontramos a "Comédia em Pé". Um casal de amigos já havia assistido e atestava: era engraçado. E, em busca de algo que ofuscasse a frustração pela não-compra dos ingressos pra peça de Fernanda Torres, lá fomos nós!
O "Clube da Comédia em Pé", o stand-up comedy tupiniquim, reúne Cáudio Torres Gonzaga, Fernando Caruso, Fábio Porchat e Paulo Carvalho. Os quatro se sucedem no palco e, com o uso de apenas um microfone - nada de outros adereços cênicos - contam suas histórias. Suas mesmo, porque o "dogma" da Comédia em Pé deixa claro que cada ator deve ser responsável pelo próprio texto. E, semanalmente, há ainda a adesão de um convidado.
Ontem, logo que Cláudio Torres Gonzaga começou a apresentação, eu já saquei que a escolha tinha sido muito acertada. Ao comentar o nosso incrível respeito pelos cones de trânsito, arrancou gargalhadas da platéia. Depois, Paulo Carvalho também fez ao rir ao debochar dos conhecimentos conquistados por enólogos de primeira viagem. Foi o menos inspirado da noite mas, nem por isso, deixou de ter graça.
Letícia Novaes era a convidada da noite e exibiu toda a graça ao descrever o horror da depilação. À vontade no ninho da comédia em pé, fazia gestos engraçadíssimos e descreveu todos os inconvenientes imagináveis do processo.
Mas os melhores da noite ainda estavam por vir: Fábio Porchat, que já fez uma breve e insossa participação no igualmente sem sal "Zorra Total", brincou com a platéia ao satirizar as vozes que nos cercam no dia-a-dia. Da voz da "mulher do aeroporto" à voz da "mulher do metrô do Rio", passando pela voz "da mulher da caixa-postal do celuar", Fábio deu um banho de presença cênica e de graça, arrancando aplausos em cena aberta por várias vezes. E provou - ao menos para mim - ser um daqueles talentos desperdiçados pela TV.
Fernando Caruso é o último a ganhar o palco e, pela ovação inicial, já dá pra perceber que o "Zorra Total", embora sem sal, deu popularidade ao cara. Só não conseguiu, mais uma vez, mostrar o talento que esse ator tem pra fazer rir. É absurdo como, logo na primeira frase, a platéia explode em aplausos! E foram vários outros quando, inspiradíssimo, Caruso começou a fazer uma crônica sacana do carnaval carioca. Muito bom mesmo!
Em suma: eu e meus amigos trocamos de peça, sim. Mas foi como mudar de restaurante e, no outro, descobrir uma daquelas preciosidades no cardápio! No fim, saímos todos muitíssimo satisfeitos!
Fica a dica: "Comédia em Pé" é um programão!!!
Ah, e só quem fica em pé é o elenco, ok???
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