11.3.08

Visão de um milisegundo

Noite feita, lá está a roda de meninos sob o viaduto. Banhados pela econômica luz da lua, cobertos pelo manto da invisibilidade. Pequenos garotos e garotas, frágeis como todos daquela faixa etária.
Entorpecidos por algo que apenas a eles parece legal, os meninotes têm olhos vidrados. Carentes e revoltados, parecem clamar pela inocência perdida em algum canto da noite escura. Em algum lugar da cidade partida.
Infância rotulada de ameaçadora por uma sociedade cada vez mais cruel; monstros de costelas aparentes que se pode contar, de pele sem viço, de perspectivas reduzidas diariamente. Carentes de tudo: do mais caro brinquedo da moda ao carinho da família; o mais valioso dos bens e que nunca sai de moda.
Gente que só enxergamos por segundos. Os mesmos segundos que antecedem o momento de desviar o olhar...
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