17.9.07

Rendição à Sua Alteza...

Sinto seu perfume inebriante, princesa, e me lembro de tantos e tantos que já te cantaram. Os daqui e os de fora. Os de toda a parte que te encontram, sempre linda, sempre perfumada, e se perdem a olhar para ti, Copacabana...
A olhar para o balé de tuas ondas verdes, lançando por sobre a areia a faixa de espuma branca que faz o turista lembrar do colarinho do chope gelado, bebido ali, à beira de tuas águas, Copacabana...
A olhar para a fartura de lindas paisagens que nos oferece, para o Forte, para tua calçada esculpida no imaginário de cidadãos do mundo todo; todos seduzidos por teu encanto, Copacabana...
A olhar para a imensidão de mar que nos ofereces de bom grado; a olhar para as lindas musas que rivalizam contigo no posto de dona de todos os olhares, de todos os desejos; e desejo é o que não falta em ti, Copacabana...
Em tuas noites, cheiras a perfume barato e tens um sabor de batom com a validade vencida misturado com a batata frita num óleo que já fritou muito mais batatas que deveria. À noite, tu és lasciva, és sedutora e emanas uma atmosfera de luxúria, pecado e deleite. E ofereces a muitos um antigo lazer, ora punido, enquanto, a outros, dás o mais antigo dos trabalhos.
Em tuas esquinas, vilas, favelas, arranha-céus, casas e choupanas, és plural em perfeita conjunção com o singular; és amorosa e cruel; assustas e acolhes os que te visitam e nunca mais esquecem de ti.
Assim és tu, contraditória, paradoxal; mistura perfeita que te fez única, inesquecível e dona do maior charme entre todas as tuas irmãs de costa. E mesmo entre todas as demais costas que há no mundo..
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