2.9.07

Será que o público vai seguir esse caminho?

Nova novela da Record mistura elementos de sucessos nacionais e internacionais e lança no ar uma pergunta: o telespectador brasileiro vai embarcar na trama dos mutantes?


Na semana passada, a Rede Record estreou mais uma novela, "Caminhos do Coração". O elenco é cheio de estrelas e a emissora tem se mostrado capaz de produzir folhetins capazes de conquistar a audiência. O que, diga-se de passagem, eu acho muito positivo. Baseado nisso - e numa propaganda fortíssima de minha mãe, já uma fiel espectadora das novelas do canal, fui dar uma conferida...
Não vi a estréia e, pelo que li, perdi algo bem próximo de uma super-produção. Vi parte do capítulo de sexta e o de sábado. E, nadando contra a maré ou não, não gostei. Primeiro, uma cena do personagem de Walmor Chagas jogando m... no ventilador na própria festa de aniversário, cuspindo marimbondos contra a família, os acionistas da empresa e afins. Achei forçada e ficou nítido um certo constrangimento de alguns atores na seqüência (incluindo o grande Walmor).
Vi algumas cenas de Bianca Rinaldi e não me custa dizer que ela é o destaque positivo da novela. Além de linda, a ex-paquita mostra que há vida inteligente depois da aposentadoria do cargo de ex-assistente da Xuxa. Não deve nada a um monte de atrizes que a gente vê por aí...
Se Bianca é o destaque positivo, o destaque negativo é a história dos mutantes. Sabe o que parece? Que o autor juntou "Barriga de Aluguel" - que já tinha como um dos cenários uma clínica de genética; "O Clone" - com o cientista Albieri; "Heroes" e "X-Man" e deu no que deu. A trama ficou forçada e não há realismo fantástico que salve da catástrofe uma cena na qual a veterana Ana Rosa tem que aturar uma garotinha gritando e estourando todos os vidros da casa. Felipe Folgosi, coitado, também precisou se empenhar para parecer verdadeiramente preocupado com a esquisitice da criança, que acabou por tacar fogo numa parte da casa. E, no capítulo do dia seguinte, ainda repetiu a dose num cemitério - dessa vez, no entanto, numa seqüência de produção infinitamente melhor.
Além da "soprano destruidora", há o menino lobo. Tadinho. Encara um personagem constrangedor..."vou chamar meu cachorro", diz ele, ameaçando um mendigo que lhe perturba. E tome sonoplastia de lobo, de latido e a gritaria da vítima do "Mogli versão Record..."
Também vi trechos de uma seqüência de um outro mutante, um molecote que corre que nem o "The Flash", lembram? Serginho Malheiros vive esse menino e, ao menos na cena que vi, os efeitos da Record mostraram convincentemente o tal poder do garoto.
Outra criança com poderes especiais é uma menininha linda. Que tem asas. Numa das cenas que vi, ela e a irmã chegam em casa e dizem ao pai que o segredo (as asas) quase foram descobertas na escola. "A tia disse que ela está com uma corcunda grande demais, pai", diz a irmã da menina alada.
E ainda tem a Preta Gil - que eu acho divertidíssima - ainda longe do tom de sua personagem. Por aqui, são apenas caras e bocas...
Demais pra minha cabeça...! Vamos ver se o público está preparado pra um realismo fantástico tão fantástico assim...
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