24.9.07

Mas a vida, o que é?

Houve um tempo em que era menos provável que doces palavras fossem capazes de lhe emgambelar. Tempos outros, nos quais ainda tinha os pés bem fincados no chão e a mente era pragmática demais para alçar grandes vôos pelos céus de sonhos e conjecturas. Buscava o real, e era apenas o real que lhe valia de algo.
Tempo passado, certezas desfeitas, pragmatismo deixado de lado. Permitiu-se sonhar mais, crer mais, saltar com seus pés para longe do chão-amarra onde havia se deixado prender por tanto tempo. Experimentava os prazeres de imaginar as coisas como gostariam que elas fossem; de interpretá-las sem medo de parecer que o fazia, de um jeito ou de outro, sempre em seu próprio favor, em favor da sua felicidade.
Tempo triste. Não podia mais contar com as derrotadas certezas de antes e viu, um a um, todos seus sonhos mais felizes virando pó; como que triturados por uma realidade cheia de lâminas afiadas, todas voltadas em sua direção.
Sem o pragmatismo do real e sem a leveza de seus belos sonhos, perdeu-se. Andava por caminhos que não lhe pareciam os seus e, em meio à caminhada, vez por outra parecia reconhecer traços familiares. Não sabia se estava ou não sem rumo. E se houvesse um rumo, não saberia sequer o que fazer para tomá-lo.
Experimentou a angústia de todas as incertezas que havia na vida. Nada estava mais sob seu controle, a não ser os momentos em que escolhia entre a vontade louca de chorar e os outros, nos quais se esforçava para procurar bobagens pequenas que lhe pudessem render um sorriso. Ou um esboço qualquer de risada que lhe pudesse tirar do peito aquele aperto.
Um dia, acordou tão ou mais perdido quanto havia ido se deitar na véspera e se perguntou se aquela era a nossa única escolha em meio à essa turbulenta existência. Estamos aqui pra optar entre chorar e rir? É essa escolha que pode dar a chave para uma vida mais leve?
Como não tinha mais certezas, não encontrou a resposta...!
E só muito tempo depois notou que essa é a mesma pergunta que persegue muita gente mundo afora. E se sentiu mais leve por não ser o único ser sobre a face do planeta a carregar a dor de uma existência silenciosa, quase sem sentido; onde os sonhos evaporam e as certezas escorrem entre os dedos como a areia fina de perto do mar...
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