14.9.07

A pedida é...o samba dela!

O samba é dela, mas quem se deleita é a gente: "Samba Meu", terceiro disco da carreira de Maria Rita, tem produção caprichada, belas canções e mostra que a moça veio pra ficar...

Hoje chega às lojas de todo o Brasil "Samba Meu", o terceiro disco de Maria Rita. O álbum vem cercado de curiosidade, já que, dessa vez, a cantora dedicou todo o repertório ao mais brasileiro dos ritmos: o samba. Dois belos - e recentes - discos de sambas lançados por outras duas grandes cantoras (Marisa Monte e Roberta Sá) aumentaram ainda mais a atmosfera de suspense para a leitura que Maria Rita dará ao ritmo.
O blogueiro aqui teve o privilégio de conferir, no site montado para a coletiva-virtual de lançamento do CD, o primoroso novo disco da cantora. "Samba Meu", produzido por Leandro Sapucahy é imperdível! Produção caprichada, repertório de primeiríssima "catiguria" e uma sonoridade que se mostra diferente das alcançadas nos discos de Marisa e Roberta. Sim, Maria Rita encontrou o seu samba. Um samba que é popular sem perder a elegância. Samba que realça a beleza do canto dessa grande artista.
Arlindo Cruz destrona Marcelo Camelo e dá as cartas no repertório do CD! Com seis belas composições, o sambista é a prova de que Maria Rita foi beber na melhor das fontes antes de se aventurar no território do samba. Piano, baixo acústico e bateria - marcas dos arranjos dos discos anteriores da artista - foram mantidos, realçando um estilo que vem sendo desenhado por Rita desde seu primeiro e aclamado trabalho: "Maria Rita", de 2003. Em "Samba meu", a produção acrescentou ingredientes do bom e velho samba à base e incrementou ainda mais o som da cantora.
O disco começa a capela, com a faixa-título, composta por Rodrigo Bittencourt. A cantora logo ganha a companhia de uma chorosa cuíca e entoa belos versos. Com a adesão da Velha Guarda da Mangueira, Maria Rita faz de "O homem falou", sambão da melhor safra de Gonzaguinha, um dos melhores momentos do álbum (e estamos apenas na segunda canção!). "Maltratar, não é direito" é mais uma pérola de Arlindo Cruz e Franco, cantada com graça. “Num corpo só”, de Arlindo Cruz e Picolé, é samba cheio de sensualidade. Com charme e elegância, Rita se derrete na interpretação: "É só beijar tua boca que eu me arrepio, arrepio". “Cria” é assinada por Serginho Meriti e Cesar Belieny e começa com as vozes do filho de Maria Rita, numa brincadeira com o filho de Tom Capone, produtor de seu disco de estréia. Mais um bom momento do Cd...
Quando chega a vez de "Tá perdoado", a gente entende os motivos que fizeram o single do disco se transformar, quase que instantaneamente, num hit nas rádios do país. Também composto pela dupla Franco/Arlindo Cruz, esse é um belo samba, com alto astral e cantado por uma Maria Rita totalmente entregue ao mais carioca dos ritmos. Pelo conjunto, é das minhas preferidas no disco. Já dá pra imaginar as morenaças cantando e sambando nas rodas de samba na próxima primavera: "Seja do jeito que for / eu te juro meu amor / se quiser voltar / tá perdoado".
Pra declarar minha saudade”, de Jr. Dom e Arlindo Cruz, é a faixa mais curta do disco e deixa um gostinho de quero mais no ar. Maria Rita aparece mais contida na interpretação desse samba romântico. Seu canto é mais grave, suave e sentimental. Igualmente bela é "O que é o amor", assinada por Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho. Bonita letra, belíssimo arranjo. "Quando a gente ama é o clarão do luar / que vem abençoar / o nosso amor". A faixa transita de um jeito gostoso entre o sambão e aquele samba de boate da moda. Mas pode apreciar sem moderação: o resultado é uma mistura saborosa!
Para os amantes dos sambas-de-fim-de-amor, a pedida é “Trajetória”(Arlindo Cruz/Serginho Meriti/Franco). Tom mais agudo na voz da cantora, piano em destaque no arranjo da primeira parte da canção. "Recebe menos quem mais tem pra dar", diz um dos versos mais belos da letra assinada pela trinca de compositores ."Não há no mundo lei que possa condenar alguém que a outro alguém deixou de amar", continuam os sambistas, cheios de amor pra dar...
Mente ao meu coração” (F. Malfitano) e “Novo amor” (Edu Krieger) me fizeram lembrar de gravações antigas de grandes cantoras da era de ouro do rádio. Maria Rita mostra toda a sua forma vocal e arrebenta. Com relação à canção composta por Krieger, vale lembrar que ela também foi registrada por Roberta Sá em seu último Cd. Na leitura de Rita, o samba ganha um arranjo num compasso mais rápido. Novamente sente-se a força desse ritmo tão brasileiro, e pode-se notar um quê de Chiquinha Gonzaga no ar...
Edu Krieger volta na faixa seguinte, "Maria do Socorro". A cuíca chora no início da música, mas esse samba é alegre e realça a versatilidade do compositor. Trata-se da história de uma dessas muitas tchutchucas que povoam o imaginário e as comunidades cariocas. “Corpitcho”, de Picolé e Ronaldo Barcellos, faz várias referências ao carioca way of life. "Oportunidade não cruza o Rebouças", "Madureira", "Império Serrano", "Copacabana", "Nikiti", "Paquetá" são algumas das citações ao Rio, nessa bela e alegre homenagem à cidade do samba. E a cantora mostra que conhece bem o universo, cantando a parte final da letra cheia de malandragem...
"Casa de Noca" fecha o disco. É um samba maneiro, de Serginho Meriti, Nei Jota Carlos e Elson do Pagode. E o CD termina do mesmo jeito que começou, com Maria Rita mandando ver a capela.
Em suma, "Samba Meu" é um discão para amantes de samba e da boa música. Maria Rita mostra que, a despeito de críticas, polêmicas, estratégias de marketing esquisitas, veio, sim, para ficar.
Que bom! E que venha logo o show, pro samba dela se tornar, também, o nosso samba...
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