11.9.07

Para insistir em desistir...

Já estava pensativo quando o vento sacudiu as folhas secas que cobriam o asfalto e trouxe para o ar um perfume floral que tornou mais fortes suas inclinações para o pensamento sobre as coisas do amor naquela noite de fim de inverno.
Lembrou de quantas e quantas vezes desistira de tudo. Em quase todas, apenas para ceder logo em seguida, desistindo da própria desistência em troca de um futuro abstrato demais para lhe poder dar qualquer sinal de que o destino seria feliz. Feliz como as risadas que davam juntos e que ainda ecoavam em seus ouvidos, destoando daquela lágrima dançarina que incomodava em seu olho enquanto tentava impedir que ela tomasse seu rumo natural.
Rumo? Mas que ironia, pensou. Que rumo? Onde seria esse rumo tão indefinido, tão obscuro?
E, uma vez mais, surgia em sua frente a imagem do tabuleiro fechado, com um letreiro indicando game over pra você. Partida encerrada, perdida, sem nada que pudesse tentar para reverter tal derrota.
Aperto no peito como aquele, sentira poucas vezes. Talvez fosse até possível contá-las com os dedos de apenas uma das mãos. Enquanto a imagem do tabuleiro desaparecia de sua frente; enquanto a lágrima dançarina ensaiava um balé pelo seu rosto; enquanto as pessoas passavam e ignoravam sua tristeza, sua saudade e toda a dor de seu sonho de amor derrotado pela vida real, pensou que era preciso; era preemente aprender a perder. E a insistir mais em suas desistências...
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