16.8.07

Morada

Olho pra você e meu olhar é transparente: rouba um beijo teu sem que nossos lábios se encontrem. E vem você, tocando meu rosto com essa tua mão macia como seda, segurando meu queixo e me dando de bom grado o beijo que eu roubara só em pensamento.
Provo do teu beijo depois de tanto tempo e sinto o mesmo frescor, a mesma paz que encontrei na tua boca da primeira vez em que nos beijamos. Uma paz curiosa; a paz de quem se percebe novamente em casa depois de uma longa caminhada por terras desconhecidas. Abro os olhos enquanto ainda estamos nos beijando e vejo você, meu endereço, meu porto-seguro. Você tem os olhos fechados e uma expressão calma; apesar do risco que nos impomos quando escolhemos momento e local tão inoportunos para reafirmarmos nosso desejo. Será que é porque você também mora em mim?
O beijo termina e sinto sua respiração mais forte, no mesmo compasso que a minha. E de novo vem o toque de sua mão, agora na minha mão. E sinto teu perfume tomando conta de mim e me fazendo lembrar que o teu cheiro é o melhor que há, que é ele que, se pudesse, escolheria sentir para sempre.
Mordo seu pescoço e o sal da sua pele se mostra o tempero perfeito para equilibrar o sabor de todos os doces beijos que guardo para você. Só pra você...
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