7.8.07

Do cansaço...

"Cansei da tua fraqueza, cansei dessa falta de cuidados! Cansei das tuas crises! Cansei de ser a mão-amiga, capaz dos melhores conselhos e dos maiores e mais sinceros gestos de amor! Gestos que você reconhece sem valorizar! Gestos que não sabe retribuir! Cansei desse teu falso desespero, do teu falso descontentamento, sempre forte o bastate para me tocar e fraco demais para te fazer sair da inércia! Cansei das tuas escolhas erradas, burras; dessa tua cegueira que te impede de ver o óbvio! Cansei de apontar qual o melhor caminho pra esses seus pés viciados no mesmo caminho que só leva ao sofrimento, à desilusão! Cansei de fingir que nada me incomoda, que sou forte o suficiente para suportar todas! Não sou! E me cansei de você!"
Aquelas palavras duras martelavam em sua cabeça quando deixou o corpo cair sobre uma das poltronas da sala. O apartamento estava às escuras, o cheiro do jantar preparado pela empregada ainda tomava conta do ambiente. Não tinha fome. Aquele discurso lhe embrulhava o estômago, lhe dava nojo. Eram as palavras que nunca teve vontade de dizer mas que as circunstâncias haviam tornado imprescindíveis. E não pôde fugir delas...
Ligou o Cd-Player baixinho e a cantora dizia que "não há porque chorar por um amor que já morreu". E não chorou...
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