19.3.06

Uma noite com Maria Rita...

Vestido verde longo - sem a polêmica bandana na cabeça - Maria Rita pisa o palco do Claro Hall. Ela caminha no compasso dos primeiros acordes de "Muito Pouco", de Moska. O público delira, saudando e reverenciando a novidade da MPB mais festejada dos últimos tempos, em show no Rio pensado para a gravação de seu segundo DVD. Iluminação bem trabalhada, banda bem entrosada. Sobra, então, espaço para a cantora esbanjar seu talento. E ela o faz. Mesclando músicas do trabalho mais recente, "Segundo", e hits do fenômeno "Maria Rita", ela consegue cativar a platéia - que, aliás, não estava lotada. Quem não foi, perdeu...
Perdeu uma cantora em excelente forma e com um repertório que gruda nos ouvidos. Na minha modesta opinião, só "Mal Intento", de Jorge Drexler - apresentado pela artista como "o único latinoamericano com um Oscar na prateleira" - destoa no show. Lembrando de Tom Capone, Maria Rita se emociona no início do set dedicado a Rodrigo Maranhão - compositor das duas "músicas de trabalho" do segundo disco da cantora - a ela apresentado por Capone, produtor de seu disco de estréia. E é na hora em que a cantora destila os sucessos de seu primeiro disco que o público mais responde. "Menininha do Portão" e "Encontros e Despedidas" são cantadas em coro.
foto de celular
O grande momento do show é todo de Marcelo Camelo. Sem citar o nome do compositor, Maria Rita canta grandes sucessos, que parecem ter sido pensados mesmo para sua voz. "Todo carnaval tem seu fim", "Santa Chuva" - em dueto com ela mesma - e "Casa pré-fabricada" também emocionam os fãs. Assim como a singela interpretação de "Sobre todas as coisas", de Chico Buarque. Lá pelo meio, os fãs de outro Marcelo - o Falcão, do Rappa - têm motivo de alegria: interpretações bonitas de "A paz que eu não quero" e "O que sobrou do céu".
No bis, ela entoa logo de cara "Despedida" - outra do Camelo - acompanhada apenas pela percussão. O público fica quase em transe, o silêncio pode ser ouvido de longe. E ainda viriam "Conta Outra" (Edu Tedeschi), "Cara Valente" (Marcelo Camelo...de novo!!!), "Festa", do padrinho Milton Nascimento, e "Lavadeira do Rio", de Lenine - o produtor do "Segundo". Aplausos calorosos. E a gente sai do show achando que a cantora escolheu a canção de Moska para abrir a apresentação por um motivo bem claro: uma hora e meia é, realmente, "muito pouco" para conferir todo o talento dessa moça.
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