2.3.06

Sabão crá-crá...



Lembro bem daquele dia. Era um domingo. Fui até a esquina buscar o jornal. Seu Giovanni, o jornaleiro, estava com cara de poucos amigos. Afoito, logo revelou o motivo da expressão carregada: "um acidente terrível com os 'Abóboras Selvagens'. Voltei pra casa correndo. Tinha 16 anos, mas a iminência de um grande fato já me excitava. Deve ser algo no DNA do jornalista, acho. Bom, o jornal ainda não trazia nada sobre o acidente. Pensei na pobre da Paula Toller. Engano meu. Engano de "seu Giuovanni". Mas a confusão hortifrutigranjeira foi esclarecida pela tevê: o acidente terrível tinha mesmo acontecido. Mas as vítimas eram os rapazes do grupo "Mamonas Assassinas".As imagens e as informações eram chocantes. Os meninos tinham morrido, no auge do sucesso. E o Brasil chorava. As crianças apareciam nas reportagens chorando, cantando os versos grosseiros e bem humorados que aquela banda tinha enfiado no imaginário popular. Logo, as reportagens eram sonorizadas com versões açucaradas de "Pelados em Santos", um dos maiores hits da meteórica carreira dos Mamonas. Tudo triste.Aquele assunto monopolizou as atenções por um bom tempo. Falha do piloto? Algazarra durante o vôo? Pane no jatinho? Eram muitas as hipóteses para explicar o inexplicável: os cinco excêntricos garotos de Guarulhos tinham desaparecido como fumaça, tão rápido quanto apareceram. A televisão repetia à exaustão programas e shows da banda. Eu mesmo gravei muita coisa no velho videocassete aqui de casa. Na escola, meus amigos só falavam disso. Nas aulas, bagunçamos tudo o que pudemos cantando as músicas debochadas e desbocadas do grupo. Pobre professora de Geografia! Quem se interessava pelo Mercosul naqueles dias pós-morte dos Mamonas?! (Aliás: quem ainda se interessa pelo Mercolsul hoje em dia???)Hoje, vi no final da tarde que 10 anos já se passaram. Curioso como a vida voa e a gente não percebe...! Ao zapear a tv e ver a imagem de Dinho, Júlio, Bento, Samuel e Sérgio, senti novamente pena dessa molecada. Senti saudade de um tempo que foi, não volta mais, e eu nem senti que passou...
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