24.9.08

Bandeira 1...

No fim da tarde, lá fomos nós – eu e mais dois colegas de trabalho – cruzar a cidade até o aeroporto Tom Jobim – que, aliás, parece eternamente condenado a ser Galeão, tamanha a distância entre a beleza da obra do maestro brasileiro e o aspecto de caverna do lugar.
Bueno, tomamos um táxi na porta da TV e seguimos. Trânsito caótico, afinal estávamos em plena hora do rush, tive tempo para reparar as peculiaridades do condutor (e) do veículo. Primeiro, aceitei uma balinha de paçoca que ele me ofereceu. E recomendo, é uma delícia. Depois, avistei uma geringonça no painel do carro e demorei um tempinho até me situar. Sim, era um celular com GPS. Aí tentei ser simpático...
Antes do momento “salve simpatia”, uma observação: se você não tiver estrutura emocional (paciência) para embarcar numa conversa daquelas que não nos levam a lugar algum, JAMAIS tente ser simpático com um taxista.
Enfim, eu fui simpático:
- Esse celular tem GPS?
Aí o moço se ajeitou na poltrona, com aquela pinta de quem acabou de ouvir um elogio daqueles. Cheio de si, olhou para mim pelo retrovisor e disparou:
- É sim! Ele dá as rotas, indica trajetos, recebe chamados e é celular. Quer ver só? Onde você mora?
Impressionado com a desenvoltura com a qual o senhor ajustou o aparelho, respondi:
- Moro em Realengo...
- Ih! Caramba!!! – ele respondeu .
- Caramba por quê? O senhor ta querendo dizer que eu moro mal?
Todos riram dentro do carro, inclusive ele. E continuou, certo de que tudo o que eu mais precisava naquele momento era alguém para tirar onda com a minha cara...
- Não, não é isso! Só que eu vou levar mais de duas horas pra chegar lá...
- ROTA ENCONTRADA! – disse uma voz IDÊNTICA a dos serviços de atendimento automático do meu banco. ERA O GPS FALANDO!!!
- Tá vendo? – continuou o taxista, todo pimpão – Ele vai dizendo qual rua devo pegar, onde devo virar...
- Mas o senhor sabe chegar se isso não funcionar, né? – perguntou meu amigo Sérgio.
- Sei, mas lá eu não vou! Tem que acender a luz, piscar farol...é muita complicação.
- Ah, moço, não vem com esse caô não! Aposto que onde o senhor mora, se der mole, perde o celular, o indicador de trajetos, o receptor de chamados, o GPS, o carro e até seus óculos!!! – devolvi.
Risadaria geral. Inclusive do taxista...
To be continued...
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