8.2.10

Sobre o show de Beyoncé no Rio...

Cheia de prêmios e no auge da popularidade, cantora texana fez plateia carioca cantar e dançar do início ao fim do show...


Quando as luzes da HSBC Arena se apagaram, pouco depois das oito da noite, a gritaria ensurdecedora dos fãs deu claros sinais de que as próximas duas horas apagariam todos os transtornos e desacertos da organização do evento. Transtornos que foram desde a completa desorganização do acesso à casa de espetáculos - com filas sendo furadas com o consentimento dos organizadores - até a, ao menos para mim, equivocada escalação de Wanessa (outrora Camargo) para o espetáculo (?!?!?!?) de abertura. Calcada em hits que conquistaram a plateia teen, a neta de Francisco fez muito playback e se empenhou pra mostrar que está conseguindo clonar o estilo das cantoras americanas. E há quem ache isso bom...
Antes de comentar o verdadeiro show da noite, um parêntese: o que explica o fato de, quase três anos depois do Pan de 2007, a Arena ter rampas de acesso provisórias, de madeira que, a olhos vistos, está em péssimo estado de conservação? Vi gente tropeçando e quase caindo ao subir. E duvido que o orçamento para a construção daquele ginásio não contemplasse rampas permanentes. É caso pra se investigar! Mais um dos absurdos legados do Pan para o Rio!
Mas, como disse, quando Beyoncé pisou o palco, as más recordações ficaram pra trás. Cheia de atitude, a cantora arrebatou os cariocas logo nos primeiros versos de Crazy in Love, canção escolhida para abrir os trabalhos da noite.
Ao contrário de outros artistas estrangeiros, Beyoncé não traz grandes pirotecnias em seu espetáculo. A pirotecnia é o natural resultado da soma de sua linda figura com sua forte presença de palco, seu carisma e, principalmente, sua estupenda voz. Como canta a mulher de Jay-Z!
O público canta junto! Vibra com as referências da artista à Cidade Maravilhosa, lhe entrega uma bandeira do Brasil - que chega a tremular no impressionante telão de alta definição - e faz um espontâneo coro em todas as canções do roteiro. Impressionante!
O show tem vários grandes momentos. Em Irrepleaceble a artista se diverte com o coral. Em Say my name a brincadeira foi outra: perguntar o nome de alguém da plateia. E, vejam só, um jovem chamado Cauê foi o escolhido. Cauê não fala inglês e Beyoncé repete o nome do fã várias vezes. No telão, o menino repete: "Eu te amo! Muito obrigado". Mesmo sem falar português, aposto que ela entendeu...
Aliás, esse é um diferencial: Beyoncé parece de verdade! Canta de verdade, dança de verdade e parece realmente feliz com seu sucesso. Não tem aquele ar blasé, tão comum nas celebridades de hoje em dia. Curte o carinho do público e soa sincera até mesmo ao dizer coisas que todo artista diz quando se apresenta no exterior. Dá pra notar que há verdade quando ela diz que "ama o Brasil" e, ainda, quando homenageia seu "herói", Michael Jackson, num número que soaria oportunista se viesse de alguém que não está no auge de sua carreira. Não é o caso: Beyoncé está no topo do pop!
Single Ladies e Halo fazem o ginásio tremer. No telão, até Obama surge fazendo a dança das mãozinhas, num vídeo muito bem sacado, que mescla dezenas de vídeos de usuários do YouTube que tentam repetir a célebre coreografia consagrada no clipe da texana. Divertido e criativo.
No fim, Beyoncé se despede e deseja um "feliz carnaval" aos fãs cariocas. Mais uma prova da sintonia dessa grande artista com o seu grande público...


Um showzão!
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