10.2.10

Idealista, eu?

Não é fácil ter uma ideia. Não é fácil pensar sobre algo, mergulhar num tema, envolver-se com ele e projetar soluções, criar caminhos novos e redefinir o que o tempo e o comodismo julgavam como estabelecido e consagrado.
No meio da busca por esse insight, muita coisa inútil surge. E surgem as ideias geniais - quem nem sempre prevalecem - geralmente engolidas pelos limites da realização. Mas, se por um lado as boas ideias são as ideias possíveis - as que podem ser postas em prática - as ideias geniais, ainda que distantes do que se pode realizar, servem como uma espécie de farol, iluminando rumos e caminhos que se gostaria de percorrer.
Eu sou um cara cheio de ideias. Algumas boas, muitas péssimas. O tempo tem me ensinado a cuidar dessas ideias, a tratá-las com carinho e, em alguns casos, até mesmo a gestá-las até o momento em que pareçam maduras o bastante para serem colocadas em prática. Talvez por isso, goste de quem tem ideias. Admiro pessoas assim.
Gosto de quem pensa. De quem idealiza. E acho temível que, com zilhões e zilhões de neurônios na cabeça, tantas e tantas pessoas se coloquem no papel de quem vai - apenas e tão somente - opinar sobre as ideias alheias. E é tanto pior quando esses apenas se dedicam a desmerecer o que vem das cabeças fervilhantes sem, no entanto, propor nada. Quem não tem ideia se acomoda. E tende a criticar quem as tem como que por inércia.
Esse tipo de procedimento, de posição diante do mundo e das coisas me incomoda. Talvez seja porque eu prefira quem plante árvores. E não os que apenas gostam de usufruir da sombra das folhas...
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