20.8.08

A graça de ter e sentir saudades...

E foi então que, quando nem podia mais supor, encontrou um baú cheio de cartas. Cartas dela. Leu todas, uma a uma, para matar a sede que aquela saudade absurda provocara. Uma sede que tinha crescido em todos aqueles meses; e mais ainda no período em que julgara ter se acostumado àquela ausência. Era um engano e, silenciosamente, como a mais traiçoeira das víboras, crescia em seu peito um vazio; apertava em sua garganta um nó.
Num primeiro momento, revoltou-se por ter saudade. Quem inventou a saudade, com certeza, não tinha pena de todos os que viriam a sentí-la um dia, pensou. Quem inventou a saudade não pensava nas mães afastadas dos filhos pelos caprichos misteriosos de um destino que nos esforçamos pra entender - tantas vezes, sem sucesso. Quem inventou a saudade não pensava na dor dos amantes separados pelas bifurcações que a vida faz surgir em cada uma das caminhadas.
Era duro demais debelar aquele incêndio em seu peito. E sabia que era assim pra muita gente...
Leu tudo. Aqui e ali, uma ou outra lágrima pulou dos seus olhos sobre o papel que tinha nas mãos. Que bom era receber, ainda que assim, com atraso, todas aquelas notícias do mundo novo...
No fim da leitura, aliviado, agradeceu por ter saudades dela. Só tem saudade quem viveu coisas boas; como só se tem saudade do que é bom. E, felizmente, tinha mais essa história pra contar...
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