20.8.08

Ave, Hebe!

No ar desde que a televisão chegou ao Brasil, Hebe Camargo vive fase turbulenta no SBT...


Li na coluna Zapping, do Agora, que o programa da Hebe amargou 2,9 pontos na última segunda-feira. Não é a primeira notícia sobre a agonia da atração do SBT. E confesso que acompanhar essa história me deixa triste como brasileiro, como profissional de televisão e como espectador.
Dois anos atrás, estive no SBT para gravar uma reportagem sobre os bastidores do programa da Hebe. E a minha admiração pela loiruda só aumentou. Estrela que não se deixa seduzir pelos caprichos do star system, Hebe faz o seu trabalho com uma naturalidade exemplar. Carismática de verdade, bate papo com o auditório no intervalo e arranca gargalhadas de todos com sua lendária espontaneidade. Inteiraça e produtiva, é um patrimônio incontestável dessa nossa quase sexagenária televisão...
Por isso, como profissional, bate uma tristeza ao ler sobre essa derrocada. Porque, como comunicadora, Hebe é um exemplo pra todos que se arvoram a olhar para uma lente e falar diretamente com o público. E eu tô nessa lista.
Como espectador, saber que um dos mais tradicionais programas da TV brasileira anda cambaleando também não é uma notícia animadora. Simplesmente pelo fato de a TV não ter produzido, ainda, uma única apresentadora sequer que chegue perto do apelo e do carisma de Hebe. Naquele seu papo de sofá, Hebe é imbatível. E não tem ninguém que lhe faça frente. Ou lado...
E como brasileiro, sinto vergonha de um país que não honra os protagonistas de sua história. Fosse estrela de uma estação de TV num país dito desenvolvido, Hebe jamais estaria sujeita aos percalços que agora atravessa. Teria um horário imexível, do tamanho exato do seu prestígio. E isso não seria caridade alguma; seria apenas o reconhecimento por uma vida inteira dedicado à fundação de um jeito de comunicar, de fazer televisão.
Por essas e outras, acho que seria interessante que o casamento da primeira-dama da TV brasileira com o SBT terminasse. Em outra freguesia, Hebe poderia recuperar o espaço merecido e mostrar que, com atenção, investimento e respeito, ainda pode fazer muita gente ter motivos pra ligar a televisão e acompanhar as conversas que rolam soltas no sofá mais famoso do Brasil...
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