19.4.06

Dia do Índio

No Salto, já tive algumas oportunidades de entrevistar índios. E uma dessas experiências deixou bem claro - pelo menos para mim - que temos uma visão muito estereotipada desses brasileiros. Era feriado de 1º de Maio, e a nossa gravação ocorreria numa aldeia Guarani em Paraty Mirim, no Sul do Estado do Rio. Chegamos ao local indicado e procuramos seguir as instruções: o cacique deveria ser consultado antes de ligarmos a câmera e iniciarmos os trabalhos. Mas, cadê o cacique? A aldeia estava deserta. Começamos a ficar meio apreensivos com a situação, até que um curumim apareceu e acabou com o mistério:
- Muita gente viajou pra passar o feriado em São Paulo!
Olhei pra Márcio, o produtor da externa, e ele sorriu. Mas a situação ficaria ainda mais inusitada: perguntamos sobre o cacique e o nosso amigo curumim revelou que ele estava no rio, pescando. Meia hora de espera a mais, e acabamos convencidos - Márcio André e eu - a seguir para o rio atrás do cacique.
O curumim foi na nossa frente, desbravando os caminhos. Eu todo arrumado, preparado pra gravar, desviando de galhos e troncos no meio da mata. Até uma balsa meio artesanal, guiada por cordas, nós tomamos pra atravessar parte do rio. Eis que, num dado momento, o curumim disse:
- Vocês ficam aqui! Vou chamar o cacique!
Olhei novamente pro Márcio e, dessa vez, eu comecei a rir. Estávamos abaixados, numa posição nada confortável, impedidos de ficar de pé pela vegetação espinhosa do lugar. E o tempo foi passando, passando, passando...! Nada do cacique. Nada do curumim. Nossas mentes cosmopolitas já traçavam milhares de catástrofes, com direito a onças famintas saindo das moitas para nos devorar. Apreensivos, olhamos nossos celulares. Não havia sinal. Em nenhum dos dois. Estávamos entregues ao curumim que à essa altura, imaginávamos, poderia estar se divertindo muito às nossas custas...
Que nada! Mais alguns minutos e volta o nosso guia, ladeado pelo cacique. A aventura tinha valido a pena, e a gravação, seria então autorizada. Olhei pra mão do cacique e avistei o grande culpado por tanta apreensão: um peixe pequenininho, daqueles que nem mata a fome de ninguém...!
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