3.4.06

Garoa e Solidão

Alheio ao vai-e-vem dos carros, alheio à chuva fina que escorria das nuvens, lá estava ele. Sem se importar com o barulho dos caminhões, andava sem destino naquela noite fria. Outono. Sozinho, despertava olhares cúmplices; de piedade até. Sem ninguém para seguir, sem niguém para lhe proteger. Sem alguém que lhe desse uma única brecha para demonstrar toda a sua capacidade de amar incondicionalmente. Corria. Cansado, mas persistente, olhava sempre em frente.
Só, chuva castigando, corria sem destino o filhotinho de cachorro abandonado perto da rodoviária da Cidade Maravilhosa.
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