14.10.08

O desabafo do garção...

Acabo de voltar da famosa lanchonete que frequento todas as tardes - aquela mesmo, cujas comandas estamparam vários posts da série Os garçãos du mel Brazil. Hoje não teve comanda. Teve, sim, um desabafo do nosso herói...
Tudo começou quando eu pedi o achocolatado de sempre, gelado - como sempre! O que veio parecia uma mistura de água suja com detergente e uma pitadinha de ajinomoto. Provei e - óbvio - não gostei. Chamei o garção e fiz a reclamação - com toda a educação que me é peculiar. Ele, com todo o mau humor que lhe é de costume, devolveu:
- Então você vá lá no balcão reclamar com quem fez!
Meu amigo Sérgio diz que sou um santo. Fiz jus à fama: calmamente, lá fui eu até o balcão pedir que outra bebida fosse preparada pra mim. Meu amigo, Gustavo, fiel companheiro nos lanches vespertinos, fez o mesmo.
Voltamos para nossa mesa e, quando a nova versão da bebida ficou pronta, o garção veio servir. Dessa vez batida no liquidificador, a gororoba líquida estava um pouco mais cremosidade. E essa era a única diferença da estranha mistura que nos foi trazida pela primeira vez. Contrariados, mas certos de que as coisas não iriam avançar muito mais que aquilo, engolimos o sapo. E o chocolate (?!?!) gelado.
Foi quando o garção voltou à nossa mesa...
- Quando for assim, vocês têm que reclamar lá! Não é o caso de vocês dois, mas esse pessoal da TV estressa qualquer um! Eu tenho 25 anos de profissão! Já passei pelas melhores casas do Rio de Janeiro! Aí vem essa gente da televisão, estressada, sentam um sete, oito numa mesa e, imaginem só: cada um faz um pedido diferente! Um quer um queijo-quente, outro quer um pão com ovo, outro quer vitamina, outro, um pedaço de bolo...! E eu tenho que gravar tudo! Ora, francamente!!!
É claro que devem ser muitos os malas que vão até a lanchonete para encher o saco do nosso herói de preto&branco. E acho isso lamentável...
Depois do desabafo, eu e meu amigo rimos. E o garção tratou de reforçar sua simpatia por nós dois - fiéis frequentadores da lanchonete. Mas a história - absurda - revela um grande despreparo para lidar com o público. E esse é um dos problemas que os turistas apontam quando voltam aos seus países de origem depois de férias em terras brasileiras. Nossa mão-de-obra, apesar de todos os esforços que têm sido feitos - ainda está longe de atingir níveis aceitáveis de qualificação, especialmente no setor de serviços.
É claro que há exceções; bons profissionais prestando bons serviços. Mas, honestamente, gostaria muito que esse caso, protagonizado pelo nosso famoso garção, fizesse parte do rol das exceções...
Infelizmente, a realidade não é assim...
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