25.10.08

'Que vontade de apertar, apertar, apertar...'

Essa é uma história real, mas os nomes citados são todos fictícios, ok?
Entrei na van, na volta pra casa. Era quarta-feira. Calorão, ar condicionado ligado e eu ia me preparando pra começar a ouvir música no mp3 quando, súbito, a conversa de um colega de viagem chamou minha atenção. Ao telefone e, felizmente, tentando falar baixo e parecer educado, ele parecia indignado:
- Mas, Valéria, como a Estephanie Patrícia fez uma coisa dessas? Me diz! Como uma menina de 3 anos estrangulou um coelho?
Fiquei chocado! Duplamente! Primeiro, com o nome da criança, que era tão esdrúxulo quanto esse que inventei. Depois, claro, pela ação cometida pela aprendiz de felícia. E, sei que é feio, mas fiquei mais atento ao papo:
- Valéria, peloamordedeus!!! Três anos! Ela enfiou essa corda no pescoço do coelhinho e saiu apertando? Como? - indagava o sujeito, carregando no tom dramático e afetuoso ao falar no coelhinho.
E seguia:
- Ah, ela pegou a corda no armário?
Do outro lado da linha, Valéria, suponho, dizia alguma coisa...
- Meu Deus! Ela fez isso? Saiu arrastando ele, como se tivesse puxando pela coleira?
E tome Valéria relatando o delito...
- Nossa Senhora! A cabecinha dele virou pra trás, é? (pausa) Ficou com a língua de fora, Valéria? (pausa) Tadinho do bichinho, deve ter sofrido pra caramba!
Eu já estava horrorizado. Tinha desistido de ouvir a (trágica) história quando, para minha surpresa, o sujeito elevou o tom de voz:
- Sabe por que isso aconteceu, Valéria? Por causa dessa frescura tua e da tua mãe, de deixar o bicho preso! Se deixassem o coelhinho solto pelo quintal, ela ia brincar com ele e não teria essa necessidade de arrastá-lo. Aliás, nem ia conseguir, porque coelho corre pra burro! Mas foram deixar o bichinho no viveiro, aí foi mole pra ela...
Novamente, hora da intervenção de Valéria. E o sujeito, outra vez com a voz macia, concluiu:
- Tá bom então! Pelo menos nos livramos de um problema! Daqui a pouco eu chego aí, tá? Um beijo, te amo!

Moral da história: deduzi que Valéria e o tal sujeito eram os pais de Estephanie Patrícia. E, pelo fim que a conversa teve, passei a achar até normal que a pequena assassina tenha eliminado o primo do Pernalonga de maneira tão fria. E imagino que ela responderia coelho à pergunta que fiz no final desse post...
PS.: Prometi a mim mesmo jamais deixar de ouvir minhas músicas pra prestar atenção na conversa alheia...
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