2.5.08

O balé dos vidros embaçados...

Sussurro em teu ouvido que ter você por perto é das melhores coisas da minha vida. Sugo tua orelha com minha boca enquanto tuas mãos se divertem explorando a mais empolgada das partes do meu corpo. Rimos juntos e decidimos que nossas roupas não combinam com o clima - quente demais mesmo para aqueles modelos de verão...
E os vidros do carro embaçam.
Num instante, estamos entregues à satisfação daquele velho desejo que nunca sucumbiu diante das adversidades; que nunca conseguimos saciar, mesmo com tanto empenho em tantas e tão deliciosas tentativas. Embolados, nossos corpos executam a mais sensual das coreografias, misturam-se, enconlhem-se, estendem-se, juntam-se e separam-se...amam-se.
Amamos enquanto os vidros do carro embaçam mais e mais...
No ápice do prazer, o toque do telefone celular me faz voltar à realidade. Longe de nosso palco, longe do nosso balé. Desperto ciente de que nada me dá tanto prazer como acordar sentindo, na tua nuca, o teu perfume.
Só, numa cama que me parece vazia demais, longe dos vidros embaçados pelo nosso amor, acordo para mais um dia sem você. Para mais um dia de saudade e de exercício de tentar ocupar a mente com outras coisas que possam, com sorte, apagar um pouquinho da falta que você me faz...
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