18.5.08

Serenata de Amor

Sentia um calor intenso lhe aquecer a pele conforme todas aquelas luzes coloridas percorriam os espaços ao seu redor. Trazia nos lábios um sorriso e, na mão direita, um microfone. Os aplausos não deixavam dúvidas: apresentava-se para uma casa de shows lotada e, melhor: estava agradando o público presente. Em meio à ovação, as pessoas começaram a gritar seu nome repetidas vezes, numa forma bem brasileira de dizer do carinho e do prazer que tinham por estarem ali naquela noite.
Sentiu a emoção tomar conta de todo o seu corpo, embargando sua voz e apertando um nó na garganta que poderia pôr em risco a etapa final da apresentação. Foi quando olhou para o chão do palco e, presa com fita adesiva, avistou a lista de músicas que ainda deveria cantar. Viu qual seria a próxima música e, sorrindo, olhou para a mesa central, na primeira fila. Lá estavam velhos amigos e seu grande amor, que não via desde o início daquela longa turnê...
Fugindo do que o roteiro estabelecia, sentou-se à beira do palco, de frente para a tal mesa e buscou ver naqueles olhos a razão maior para dizer toda a poesia presente na canção de Dominguinhos e Nando Cordel.
Aos primeiros acordes, respirou fundo e mergulhou naquela canção de amor saudosa...


"Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso, do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz
Pensamento viaja e vai buscar
Meu bem-querer
Não posso ser feliz assim
Tem dó de mim
O que que eu posso fazer?"


Novo aplauso, ensurdecedor. Na mesa, na primeira fila, encontrou olhos marejados como os seus. Foi até lá e ganhou muitos abraços e um discreto beijo no pescoço, retribuído com um largo sorriso. Foi quando as luzes se apagaram e do calor delas fez-se o frio daquela madrugada de outono. O relógio devia marcar umas quatro e meia da manhã quando despertou. Sem abrir os olhos, puxou o edredom que tinha escorregado, enrolou-se nele, e voltou ao sono. A coberta trazia de volta aquele calor gostoso, confortável; mais perfeito convite a um resto de noite delicioso. Foram poucos os instantes pelos quais permaneceu acordado, mas o sono não foi capaz de conduzir-lhe de novo à serenata de amor...
Postar um comentário