26.8.09

O sono da má vontade...

Oito e quarenta da matina. Toca o telefone. Zêbado de sono, levanto e passo alguns segundos dizendo alô com o controle remoto da TV grudado na orelha. Quando percebo o deslize dos meus sonolentos neurônios, pego o telefone e me esforço pra falar. E quando digo alô, ouço a voz de uma moça indecentemente animada para aquele horário, digamos, tão inóspito:
- Bom diaaaaa! Sou a fulana de tal, da LBV!
Nesse momento, confesso, adormeci. Foi como se meu cérebro tivesse desligado, diante da minha total incapacidade de oferecer, pedir ou receber ajuda naquele horário, digamos, tão infeliz. Só recobrei a consciência alguns instantes depois, quando a moça dizia:
- (...) fraldas pra um lar de idosos. Podemos contar com a sua ajuda?
Juro que tenho profundo respeito pelos idosos que vivem em asilos e pelas instituições sérias que cuidam dessas pessoas. Mas, naquele horário, digamos, tão...tão...tão impertinente, o máximo que consegui processar e dizer foi:
- Não!
Embora estivesse semi-desacordado, percebi que a secura da minha resposta surpreendeu a moça. Ela encerrou a ligação secamente, quase desolada. E eu, que acabara de negar fraldas aos velhinhos assistidos pela Legião da Boa Vontade, voltei pra cama pensando:
- Que merda!
Mas gente...eu tenho coração bom, viu?
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