14.4.08

A voz do povo...

As lojas de peças e equipamentos de automóveis estão para o universo masculino assim como o salão de beleza está para o Clube da Luluzinha. É lá, num ambiente perfumado pela graxa, entre porcas, parafusos, lanteras e rolos de insulfilm, que os Bolinhas de plantão trocam figurinhas sobre os mais variados assuntos.
Sábado, lá estava eu numa dessas casas do ramo. Enquanto aguardava a relização do serviço, bati um animado papo com a rapaziada. A prosa ia animada, com todo mundo contando uma história de separação - sim, descobri que a inimiga número um de boa parte da cuecada é a ex-mulher - até que o assunto mudou para a epidemia de dengue que tomou conta do Rio.
Foi quando um dos funcionários do recinto, até então concentrado na missão, resolveu desabafar:
- Essa empidemia tá um troço muito sinistro! Moro lá em Santíssimo, aí vocês já viu, né? Mato pra tudo quanto é lado, uma mosquitada do c*r*lho, lalva de mosquito em tudo que é pouça d'áugua! Eu tô de olho com os meus muleque! Tenho três! E eles tudo tá tomanu repelente toda hora...
Turma, eu sou um cara do bem, juro. E juro, também, que, em condições normais de temperatura e pressão, eu jamais riria do discurso do rapaz. Mas um ser das trevas do meu lado, não satisfeito em me olhar com uma tremenda cara de riso, ainda me deu uma cutucada no braço, com a sutileza de um acasalamento de um casal de rinocerontes. Aí, bicho, não deu: ri pra caramba e ficamos, eu e o mau elemento que me tirou do prumo, arrumando uma desculpa qualquer para não constranger o trabalhador. E ele, que felizmente não percebeu, concluiu:
- Se os pessoal tudo cuidasse dos seus quintaus, e os governo fizesse as partes deles, a gente não precisávamos ficarmos agora gastando os tubo pra tomar repelente!!!
Tirando a parte do xarope-repelente, acho que ninguém pode negar que ele está coberto de razão, né?
E viva a sabedoria popular!!!
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