21.4.08

Esperando na coxia...

Era comum ouvir histórias de grandes amores. Histórias lindas e simples, de gente que se encontra no ônibus, a caminho do trabalho, se apaixona e é feliz. Gente que estuda na mesma turma na escola, namora, casa, tem um monte de filhos e é feliz. Gente que esbarra na rua na tal outra parte da laranja; ou que, simplesmente, bate no carro da tampa de sua panela e, enquanto a polícia chega pra registrar a ocorrência, a magia do encantamento surte o efeito e tem início uma longa jornada de felicidade.
Histórias...
Nunca vivera nada que fosse além de um belo ensaio de uma grande história. Como numa grande peça, às vésperas da estréia. Discutia as cenas que viriam, as marcas, a intenção de cada fala; traçava na mente as rotas que seu personagem percorreria em meio à ação. Ensaiava com outros atores desse grande teatro que é viver. Mas a peça dos seus sonhos, no entanto, nunca conseguira encenar...
Sentia-se como o ator que, em meio a oportunidade de estrelar um grande espetáculo, recebe do autor um papel pequeno, com poucas falas. Um artista ciente do próprio talento, sem chance de mostrar o melhor que poderia oferecer. Privado da oportunidade de dividir grandes e inesquecíveis cenas, tentava se mostrar contente e realizado em meio à pequeneza do papel que lhe fora reservado.
Mas seguia ciente da capacidade de viver grandes histórias. Simples ou não. Esperava, apenas, que o autor atentasse para esse seu talento...
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