8.4.08

Dia de reflexão

No dia do jornalista, mais do que mandar um abraço a todos os coleguinhas, quero pensar no nosso papel nessa sociedade tão louca...
Ser jornalista me faz sentir orgulho quando sinto que, de alguma forma, por pequena que seja, posso contribuir para melhorar a vida de alguém. Como fez Marcos Uchôa, domingo, ao denunciar, em reportagem exibida no Fantástico, um sórdido esquema de venda de ruas da Zona Sul do Rio de Janeiro, loteadas por bandos organizados e disfarçados de "flanelinhas". Como fez Mauro Ventura, em O Globo, ao lembrar-nos a todos do quão cruel e virulento é o julgamento imposto pelo tráfico de drogas aos seus inimigos.
Julgamento que, tempos atrás, levou-nos um bom exemplo de coleguinha: Tim Lopes; outro ícone do jornalismo que é motivo de orgulho.
Ser jornalista, no entanto, também me faz sentir vergonha. Vergonha de uma imprensa que se acha no direito de imprensar uma jovem mãe que acaba de perder sua filha numa tragédia que, a cada dia, choca e comove mais e mais a população de todo o país. Imprensa que desliza, derrapa, descamba para o sensacionalismo e, tantas e tantas vezes, passa ao largo do bom jornalismo quando, diante de informações ainda tão preliminares, tenta apregoar culpas e desvendar o que, até mesmo para a polícia, permanece obscuro e insondável.
Não tenho dúvida de que o dia-a-dia dessa nossa - amada - profissão é tenso, corrido e que o tempo é escasso. Sei que as ordens existem e, não raro, estão em posição antagônica em relação às nossas crenças e convicções. Mas sei que, acima de tudo, jornalista não é justiceiro e a lógica selvagem dos tempos modernos não pode, em hipótese alguma, pautar nossas matérias e nossa profissão. Da mesma forma como torço para que não paute nossas vidas...
Aos colegas, feliz dia do jornalista!
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