11.10.06

A tristeza nos olhos do palhaço

Já escrevi aqui sobre os Doutores do Riso - que sempre me acordam no ônibus. Ontem, no entanto, eu já estava acordado quando aquele rapaz franzino, rosto pintado como o de um palhaço, pegou o ônibus no Aterro do Flamengo. Pagou a passagem, passou da roleta e começou...
_ Gente, bom dia! Desculpem atrapalhar...
Mas o motorista atrapalhou. Bruscamente, grosseiro! Disse que ele não estava permitido a fazer "espetáculo" dentro do ônibus, que a empresa não permitia, que haveria multa para o condutor em caso de desobediência.
E aí eu vi um palhaço ficar triste. Ele tentava argumentar, dizia que tinha pago a passagem; que tinha pouco dinheiro porque a instituição está em crise. E que, se já havia feito o pagamento, poderia "dar o seu recado" rapidinho.
O palhaço se voltou para a platéia novamente - interrompeu o buxixo que já tomava conta do ambiente e recomeçou:
_ Gente, bom dia!
E o motorista interrompeu de novo. Mais impropérios, mais gritos! Ameaçou, inclusive parar o ônibus para que o voluntário do Doutores do Riso fizesse seu trabalho. Mas a coisa engrossou:
passageiros protestaram contra a rispidez do motorista - inclusive o blogueiro aqui - e um deles chegou a ameaçar que, caso o ônibus parasse, desceria e atiraria uma pedra no pára-brisa.
Confusão. Balburdia. O rapaz com a cara de palhaço pediu desculpas e desceu.
Fiquei triste. Primeiro, com a grosseria do motorista e do cobrador. E segundo, porque sempre pego esse ônibus, e sei que essas regras - que os dois profissionais defenderam com tanta veemência - são flexibilizadas quando do interesse deles. Por exemplo: quando um vendedor de doces entra no veículo, logo distribuindo guloseimas para ambos - numa espécia de pedágio.
Sem falar que a causa do palhaço é pra lá de nobre...
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