11.2.09

Mico no sex shop...

Era o típico quarentão metido a jovenzinho. Sim, apesar das pregas que lhe adornavam (?!) o rosto, empenhava-se em estender a juventude, portando-se como garotão, sempre galante e sem o menor senso de ridículo ao se perder admirando bundas, peitos e pernas em todo o canto.
Se fosse a um psicanalista, o tipo seria dignosticado como portador da síndrome da adolescência crônica...
Pois bem, foi esse tipo que, num centro de comércio popular, avistou uma vitrine com artigos de sex shop. Eram lingeries, creminhos, vibradores e outros apetrechos usados para esquentar a vida a dois. Curioso, foi atraído pela tal vitrine e se perdeu olhando para aquela fartura de artigos de sacanagem...
Foi quando surgiu uma senhora, igualmente metida a jovenzinha, toda trabalhada no gloss e na escova progressiva. Batom lilás nos lábios, rímel azul (?!) nos cílios, exibiu um sorriso de guia turístico e disparou:
- Bom dia, colega! Posso ajudar?
Intimidado por ter sido flagrado naquele momento de fruição afrodisíaca, o eterno jovem explicou que estava apenas dando a tradicional olhadinha nos produtos. Pediria ajuda se fosse preciso. Mas a colorida vendedora já havia engatado a segunda: segurou um dos potes de creme e, falando mais alto do que o manual da discrição recomendaria, pôs-se a palestrar:
- Era esse que você tava olhando, né, Nem? Olha, esse é pro sexo oral! Você faz uma brincadeirinha gostosa nas preliminares, aplica na parceira e pode fazer o sexo oral! Ele deixa um gostinho ma-ra-vi-lho-so!!!
Surpreso com a despachada atendente, o senhor - sentindo-se menos jovem e muito encabulado - agradeceu com um sorriso nervoso e tão amarelo quanto os cabelos da vendedora. Tentava desviar os olhos do rosto dela quando se deu o ápice daquela inusitada demonstração:
- Já sei! - disse a doida do sex shop - Você está envergonhado por conta dos consolos, né? Fica não, bobo - e deu-lhe um tapinha daqueles de cúmplice no ombro - Eles são ó-ti-mos! Nós a-do-ra-mos! E sabe como é, né? A mulher goza mais rápido que o homem! Com um vibrador desse, você pode enlouquecer sua parceira, ela vai gozar horrores e você vai continuar lá, com tudo em cima! Nem vai precisar de Viagra, bobo!
A vergonha que sentiu naquele instante e o nome Viagra no fim da frase o fizeram ter a exata dimensão da passagem dos anos. Era um senhor, caramba! E completamente sem-graça diante daquela vovó-colorida-e-despachada que lhe havia dado uma aula diante da vitrine de produtos eróticos.
Agradeceu e, rabo entre as pernas, deu as costas para a vitrine. Não tinha mais idade pra tantas emoções...

PS.: Essa história é totalmente verdadeira. E que atire a primeira pedra quem não conhecer um gatão de meia idade na vida real...
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