26.12.08

Saudade maior...

Era menino ainda quando a vida jogou toda a sua inconstância na minha cara. Foi quando, horas depois de me trazer um monte de presentes de Natal e de jogar video-game comigo, como gostávamos tanto de fazer, meu pai se deitou e não levantou mais. Morreu de repente, sabotado por um coração sobrecarregado, apesar dos seus apenas 41 anos.
Eu tinha 10...
E aprendi que as coisas são impermanentes. Aprendi que o tempo existe pra ser aproveitado, que as oportunidades que a vida nos dá não podem ser desperdiçadas e, mais que tudo isso, que o amor que sentimos pelas pessoas especiais em nossas vidas deve ser demonstrado em palavras e em atitudes. Aprendi com ele a ser Flamengo, mesmo sem gostar e sem entender quase nada de futebol...
Vivi apenas uma década com meu pai, mas tenho certeza de que ele sempre soube que era o meu herói, o cara que sabia tudo de matemática, com quem eu sempre podia contar na hora de resolver um problema mais complicado.
Ainda hoje me pego pensando em como ele me aconselharia diante de determinadas situações...
Hoje, faz 18 anos que meu pai foi-se embora. Era uma quarta-feira e Chitãozinho e Xororó cantavam na televisão. O rádio-relógio do quarto marcava 22:56h quando eu vi, pela última vez, meu pai com seus belos olhos verdes abertos, olhando pra mim, com um ar de despedida que, apesar de toda a meninice dos meus apenas 10 anos, eu soube perceber de imediato...
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