5.5.06

Making of

Quem não conhece os bastidores de um programa de televisão ao vivo não faz idéia da tensão que ronda o ambiente. Por trás de apresentadores simpáticos e sorridentes, há toda uma equipe antenada em milhares de detalhes: luz, enquadramentos, áudio, tele-prompter...! Uma infinidade de peças que, uma vez encaixadas, dão forma ao produto que se vê no ar.
Num programa com interatividade, como o "Salto", uma das peças é o telefone. Os cursistas - que compõem uma audiência fiel - telefonam e são atendidos por uma equipe pedagógica. Passam suas informações; nome e estado de onde estão falando. Feito isso, o apresentador recebe essas informações - pelo ponto-eletrônico - para chamar o participante. O apresentador não conhece o teor das perguntas que chegam por telefone, o que faz dessa interação algo muito espontâneo; desafiador até. Nesse momento, é preciso prestar muita atenção no que diz o cursista, para evitar que a pergunta deixe de ser respondida na sua totalidade...
Na semana passada, no último programa de uma série sobre a Literatura, achei que todos os imprevistos já tinham acontecido. Falhas no tele-prompter, pane no ponto-eletrônico, problemas com ligações telefônicas...até mesmo um convidado me pedindo pra cantar uma música no encerramento de uma das edições! Achava que tudo de inusitado já tinha acontecido. Que nada! Na sexta-feira, momentos finais do programa, sou avisado de uma ligação do Tocantins. Chamo a cursista pelo nome e ela diz, simpática:
- Boa noite, Murilo! Eu quero dizer que você é muuuuuuuuuito lindo!
Juro que durante os três segundos seguintes eu queria sumir! Podem dizer que é incoerência ser tímido e trabalhar na televisão, mas sou assim! Senti o rosto ficar quente - sem maquiagem, teria ficado vermelhíssimo! Mas durou só três segundos, no máximo. Respirei, sorri e me concentrei na pergunta que vinha do Tocantins. Afinal, o show tem que continuar...
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