4.7.10

Sobre o meu sábado pantaneiro...

Aproveitamos o último dia da viagem a Mato Grosso para captar stock shots do Pantanal. Stock shots são aquelas imagens utilizadas na televisão para ilustrar um assunto específico. No nosso caso, a ideia era gravar imagens da natureza, da biodiversidade e das belas paisagens do Pantanal.
O trabalho começou bem cedo: deixamos o hotel às três da manhã. Chegamos à Transpantaneira - estrada que dá acesso ao Pantanal e às pousadas - quando o sol ainda surgia tímido no horizonte. E a beleza do canto dos pássaros - na verdade, uma infinidade de sons diferentes - já demonstrava que o dia seria riquíssimo.
Conseguimos captar belos momentos dessa natureza selvagem, tão distante daqueles que - como eu - são essencialmente urbanos. Fizemos um passeio de barco pelos rios da região e pude conhecer Zico e Dorotéia, dois enormes jacarés que são alimentados pelo barqueiro com pedaços de peixe. Treinados, aqueles bichos assustadores se aproximam da embarcação logo que ouvem o chamado de seu Valdir, pantaneiro que nos conduziu nessa etapa da aventura. Para minha sorte (???), Zico e Dorotéia vieram bem na minha direção, saltando para fora das águas em busca do lanche da manhã. Uma imagem que eu, certamente, jamais irei esquecer.
Também avistamos alguns Tuiuiús - em quantidade bem menor do que a mostrada na novela Pantanal, da extinta TV Manchete. Aliás, soube que essas belas aves estão na lista dos animais em extinção. Uma pena: o Tuiuiú é a ave-símbolo da região.
Depois de uma pausa para o almoço, a aventura continuou. Desta vez, a pé! Fizemos uma trilha de três horas, mata adentro, em busca de mais flagras. E foram muitos: do pica-pau batendo forte o bico no tronco das árvores a vários tipos de macacos, passando pelo já raro tamanduá-mirim, cuja presença na trilha surpreendeu até mesmo Gonçalo, outro pantaneiro que atuou como guia em nossa jornada terrestre.
Na volta, com o céu escuro e lotado de estrelas - tantas que a gente até se pergunta onde elas se escondem quando olhamos pro alto nas cidades grandes - uma última anfitriã surgiu para se despedir: uma sucuri. Com uns dois metros, ela atravessava a Transpantaneira, certamente procurando algo para comer.
Depois disso, segui viagem em silêncio até Cuiabá. Queria me certificar de que minha cabeça seria mesmo capaz de guardar todos aqueles belos momentos vividos naquele pedaço de chão tão brasileiro. De uma gente tão querida, carinhosa, hospitaleira e simpática. Onde a natureza mostra toda a sua beleza e sua força.
Pedaço de chão que eu tive o prazer de conhecer neste já inesquecível sábado...
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