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11.4.12

Sobre a polêmica do aborto de fetos anencéfalos...

O Brasil acompanha - de modo menos interessado do que devia - o debate que envolve o julgamento do Supremo sobre a descriminalização do aborto de fetos anencéfalos. Quatro ministros do STF declararam hoje que votarão a favor do projeto que, caso aprovado, permitirá que pais e mães possam escolher como proceder em caso de gestação de um bebê sem cérebro - ou com comprometimento cerebral grave.
Tenho acompanhado as discussões pela mídia - e a TV é, de longe, a que menos tem se dedicado ao tema. Talvez para fugir de polêmicas com grupos religiosos e conservadores. Talvez por não reconhecer que essa seja uma temática de grande relevância. Vi apenas algumas discussões em programas como o Sem Censura e o Repórter Brasil, ambos da TV Brasil, e um debate no Entre Aspas, da Globonews.
Em todos os casos, fiquei surpreso com o nível de argumentação dos que são contrários ao projeto em discussão. Também me surpreende a total falta de sensibilidade à causa das mães que se deparam com um diagnóstico duro e decisivo: gerarão bebês com expectativa de vida limitadíssima. Bebês que podem existir por minutos, talvez horas.
Os que são contrários a descriminalização dos fetos anencéfalos se dizem a favor da vida. Também o sou. Totalmente. Mas fico penalizado ao imaginar que uma família pode ser obrigada a levar em frente uma gravidez que poderá terminar em morte sem que nada possa ser feito para diminuir, abreviar ou simplesmente evitar que tamanho sofrimento se torne ainda maior.
Não se trata de tornar o aborto de fetos anencéfalos uma obrigação. Seria contrário à ideia, caso fosse essa a proposta. Trata-se de oferecer aos familiares que atravessam esse momento tão delicado a possibilidade de escolher qual saída pode ser menos traumática. E só quem pode mensurar a dor que qualquer das escolhas vai ocasionar são aqueles que, de fato, vivenciam a angústia dessa decisão. Não acho justo que o Estado ou que as igrejas se arvorem no papel de defender uma vida para a qual virarão as costas em seguida. Ou alguma proposta e/ou dogma religioso prevê o acompanhamento psicológico para os familiares dos bebês anencéfalos depois que sua inevitável morte se consumar?
Alguns poderão dizer que há casos de crianças sem cérebro que conseguiram - e conseguem - viver por alguns anos. Sim, eu sei. Certamente são crianças amadas por seus pais. Mas também é certo que, infelizmente, elas representam uma exceção à regra. A maior parte jamais terá alta da maternidade.
Enquanto as TVs parecem negligenciar o debate - o que deve mudar nesta quarta, caso o STF chegue a uma conclusão - a Internet segue como tribuna livre. Hoje, no Twitter, os Trending Topics registraram algumas vezes expressões ligadas aos grupos que defendem que o abortamento de fetos anencéfalos deve continuar proibido por lei.
Felizes esses tempos de democracia. Mas sinto falta de argumentos menos "contaminados" por valores ligados à religião e mais sensíveis à delicadeza inerente à situação. Não se está falando de liberar o aborto. O que está em pauta é dar às mães e aos pais que vivenciam a situação a possibilidade de escolher de que forma melhor podem superá-la. 

20.7.10

Sobre a morte do filho de Cissa Guimarães...

Há algo nas mães que me comove. Não sei se a capacidade de se dedicar de forma extrema, ou o poder de amar sem limites seus filhos. Não sei se é o dom de estar sempre ao lado das crias nas horas difíceis ou se é o sorriso mais sincero que elas, orgulhosas, exibem nos momentos das conquistas dos pimpolhos. Tudo isso me comove. E creio que tudo isso me leva a constatação de que não há no mundo amor mais sincero, puro e verdadeiro que o amor de mãe.
Por isso, sempre me sinto muito triste diante de histórias envolvendo mães que perdem seus filhos. Esse é um sofrimento brutal, que violenta o que seria natural. Uma dor dilacerante para qual nenhuma mãe jamais estará preparada. Separação abrupta de alguém a quem, todo o tempo, só fez dar amor e planejar um futuro bom.
Hoje, essa dor cruzou o caminho de Cissa Guimarães. E cruzou os caminhos de milhões de brasileiros e brasileiras, fãs dessa atriz e apresentadora que passou a vida sorrindo, enchendo a TV e os palcos de uma energia boa, feliz. Tão querida, Cissa jamais foi rejeitada pelo público, mesmo quando dava vida a vilãs nas novelas da TV.
Soube da notícia assim que acordei. E fiquei muito, muito triste. Pela morte estúpida de Rafael, um jovem com toda uma vida pela frente. E, também, por imaginar a dor de Cissa. A notícia me tocou tanto que cheguei a mes questionar a razão de me sentir tão triste. Lembrei que sou humano e que, graças a Deus, conservo a capacidade de me colocar no lugar das pessoas de quem gosto, como é o caso dessa atriz tão querida, que me acostumei a ver rindo e fazendo rir nas matérias do Vídeo Show.
Depois de muito tempo, senti vontade de rezar. E fiz isso. Rezei por Cissa, rezei para que Rafael possa encontrar um caminho de luz e serenidade. E que possa ajudar sua mãe a recuperar a alegria de viver. Certamente vai ser difícil. Mas gosto de crer que, lá de cima, ele vai poder dar uma força ainda maior pra ela e pra toda família.
Força, Cissa!
Vá em paz, Rafal.

16.11.08

Toda mãe é uma peça!

Dona Hermínia: estrela do monólogo, personagem criada e interpretada pelo ator Paulo Gustavo é uma espécie de síntese de todas as mães que há no mundo...

Talento é algo que sempre me impressiona. E, mais que isso, emociona mesmo. E foi exatamente essa emoção que senti na noite desse sábado, quando, de pé, no meio da platéia, aplaudi com muita vontade o ator Paulo Gustavo.
Paulo é autor e ator do monólogo "Minha mãe é uma peça", que felizmente já faz longa carreira em teatros cariocas. Depois de ouvir muitos elogios, só ontem pude conferir a engraçadíssima história de Dona Hermínia, a mãe que dá título ao espetáculo. A demora, aliás, também se deve ao sucesso arrasador da montagem, que não pára de lotar os locais em que fica em cartaz...
Quem já ouviu a máxima que diz que todas as mães são iguais vai poder comprová-la nessa comédia. Sim, leitor, nos tiques e nas expressões de Hermínia, há muito de Marias, Verônicas, Stellas, Júlias, Franciscas...! Há muito da minha Ismênia também! E é praticamente impossível não reconhecer nos trejeitos e no humor da mãe que está em cena traços da que está em casa, no coração ou na memória. Hermínia é mãe de todos nós! E exatamente por isso, foram várias as vezes em que ouvi, aos sussurros, alguém dizer: "Minha mãe é igualzinho!".
Aí está grande parte do mérito do autor Paulo Gustavo: sensível, ele soube capturar para o texto essas características universais da maternidade. Aquele tom vitimizante, dramático, exagerado e cruelmente reclamão; de quem é capaz de dizer à filha que "vai dar um tapa e virar sua cara pro lado" e, momentos depois, explodir: "às vezes eu tenho vontade de sumir!"; sem falar no corriqueiro: "ninguém tem capacidade de lavar um copo!". Bem familiar, não?
Já o ator Paulo Gustavo tem o mérito de criar essa mulher cheia de tiques nervosos, com uma voz esganiçada e gritada que, no entanto, não cansa a platéia. Como também não cansam os momentos em que, solitária - mas, sempre, muito reclamona - Hermínia repete setecentas vezes o texto da bronca que ensaia dar nos filhos, na vizinha, na tia-mala que telefona sempre, em Carlos Alberto - o ex-marido - e Soraya, sua nova mulher.
Aliás, setecentos é um número que Hermínia repete bastante também...
Pra mim, um dos momentos mais engraçados é aquele em que a personagem se queixa do Natal. "Todo mundo briga o ano todo, aí na semana do Natal vem querer confraternizar! FALSIDAAAAAADE!!!" É divertidíssimo e a platéia explode às gargalhadas...
Turma, esse é um ESPETÁCULO, assim mesmo, com letras maiúsculas! Vale muito a pena assistir, rir e reconhecer a própria mãe na tal Dona Hermínia inventada pelo engraçadíssimo Paulo Gustavo.
Durante os aplausos, logo depois do fim da peça, o ator pegou o microfone e, antes que pudesse dizer alguma coisa, ouviu de uma senhora da platéia que a peça é sensacional. Ele agradeceu. E eu concordei! São raras as vezes em que um adjetivo traduz tão bem o que sentimos.
E foi exatamente o que aconteceu com esse sensacional ontem...

10.5.09

Pra dona Ismênia...

O que dizer em mais um Dia das Mães?
Acho que nada que se fale para uma mãe como você será o bastante para agradecer, retribuir e recompensar todo o amor, toda a dedicação e todo esforço; esse tudo que você me dá todos os dias, um tudo que é tanto que chega a parecer infinito.
Acho que talvez falte dizer que peço a Deus para conservar nossa relação tão harmoniosa, tão amistosa e verdadeira. Que peço a Ele que nos dê muita saúde para aproveitarmos essa vida cheia de coisas lindas. Que Ele me dê possibilidade de te mostrar como é lindo o mundo lá fora e como você pode curti-lo agora, que não tem mais que se preocupar (tanto) comigo.
Que Ele te abençoe e te guarde sempre!
E nesse papo com Deus, vou agradecer por ter me dado a melhor mãe; aquela que talvez eu nem pudesse imaginar que existiria.
E a você, mãe, todo o meu amor. Toda a minha gratidão. E, sempre, o que há de melhor em mim...
Te amo!

28.1.13

Santa Maria...

Acordei com um alerta no celular. Era uma mensagem no whatsapp. Um amigo dizia que só se falava disso. Liguei a TV e levei um choque: 231 jovens, mortos num incêndio em Santa Maria. Uma noite que seria de diversão, de azaração, deu lugar a um domingo de imensa dor. Dor das famílias, dos amigos. Dor de todos nós.
É difícil buscar explicações para tantos sonhos impedidos, pra tantas vidas interrompidas. Destino? Vontade de Deus?
Creio em Deus e tenho muita fé. Isso me impede de crer que seja fruto do desejo Dele uma tragédia dessas proporções. Atribuo essa nossa dor à irresponsabilidade de alguns, ao descaso de outros. Gente que não imagina que suas atitudes - ou que a falta delas - possa resultar numa pilha de corpos espremidos, empilhados num banheiro qualquer, exalando tristeza por todos os lados. Gente que não pensa que é dolorido saber que os celulares das vítimas seguiriam tocando, horas depois do resgate dos corpos. Chamadas das mães, amputadas depois da morte de seus jovens filhos. Gente que, diante dos próprios interesses, não hesita em cortar custos pequenos, sem perceber que o ônus de uma pequena economia pode ser uma grande tragédia.
Enorme tragédia essa nossa...
Como disse, tenho fé. E peço que a Santa Maria cuide de cada um desses 231 pedaços do nosso povo. Que cubra-os com seu manto e os ajude a entender tudo. Que guie seus caminhos por estradas cheias de luz. E que olhe pelos familiares dilacerados por essa dor tão violenta.
Amém!

9.5.09

Barraco no show de Ricky Vallen?

Essa notícia eu recebi por telefone...
Minha mãe e algumas amigas foram ao show do cantor nessa noite. No meio do espetáculo, a produção do Ricky percebeu que uma senhora estava filmando a apresentação. E pediu que ela parasse de gravar, explicando os inconvenientes que essa prática - e a posterior postagem na internet - acarreta a artistas e gravadores.
Mas a senhora protestou.
Momentos depois, enquanto o artista cantava, a senhora subiu ao palco e o interrompeu pra dizer que havia sido destratada pela equipe de produção. O cantor, cordial, quis saber o que havia. Diante da insistência da mulher, Ricky deu o microfone para que ela se explicasse. Ela reclamou por estar sendo vigiada. E não queria deixar o palco.
Ricky, então, pediu que a senhora se retirasse do palco. Diante da negativa, o cantor chamou a segurança e disse que ela estava atrapalhando o show. Depois, voltando-se para a produção, o artista explodiu: "Devolvam o dinheiro dessa senhora! Não quero nada dela! Podem dar até o dinheiro da passagem!"
Climão, hein?
E você? Acha que a razão está com quem?
E se você esteve no show, conte como percebeu essa situação...
Polêmica à vista...
PS.: E minha mãe, que é fã de carteirinha, ainda entrou no camarim e chegou agora em casa com foto autografada e tudo! Se soubesse, nem teria comprado outro presente de Dia das Mães...rs

11.5.08

Será que a mídia nos deixou mais cruéis?

"Chorar, muitas vezes, soa a falsidade", diz a mãe de Isabella, acusada de frieza em meio à maior tragédia de sua vida...

Ana Carolina Oliveira, a mãe da menina Isabella, quebrou o silêncio no Dia das Mães, no "Fantástico". Mais do que analisar a entrevista, quero aqui falar de algo que me angustiou bastante ao longo desses trinta e poucos dias de vasta cobertura do caso: o julgamento à mãe da menina.
Sim, viciados que estamos em mídia, passamos a estranhar o silêncio da mãe de Isabella. Mais, passamos a criticá-la por ir à missa do Padre Marcelo, por falar com Xuxa e Ivete Sangalo, por aparecer na televisão batendo palmas sob o comando do padre-cantor. Ouvi por diversas vezes que a mãe da menina era "fria demais" e que "devia ter alguma coisa errada nessa história".
Sempre rebati essa análise burocrática dos fatos. Ana Carolina Oliveira é jovem, foi mãe muito cedo e talvez sequer tenha compreendido a dimensão da tragédia que se abateu sobre sua vida. Algo que ela mesma confirmou hoje, durante a conversa com Patrícia Poeta. Julgá-la por aparecer em público serena, sem o rosto desfigurado pela dor de perder a filha, a mim parece algo covarde e sem sentido. Até porque, chorar é o que mais a madrasta de Isabella, Anna Carolina Jatobá, fez durante entrevista dada ao mesmo programa. E não vi ninguém acreditar que se tratavam de lágrimas sinceras...
A entrevista, bem produzida, teve senões. Deslizes aqui e ali - e me refiro à condução, não ao desempenho da entrevistada. Mas mesmo esses deslizes - que alguns classificam como tentativa de fazer da conversa um espetáculo - são, ao menos para mim, plenamente justificáveis. Mesmo para quem trabalha com jornalismo - e a equipe do "Fantástico" é repleta de excelentes profissionais - tratar esse tema é um desafio. Delicado demais, pesado demais. Triste demais. Por isso, acho louvável a postura de Patrícia Poeta e louvável o "furo" do "Show da Vida" - sim, não nos esqueçamos que o que vale é sair na frente da concorrência.
Mas, sobretudo, valeu para lembrar aos que julgaram a mãe de Isabella como fria que nem sempre o que parece é. Para lembrá-los de que cada um processa vitórias e derrotas de um jeito e que, mesmo na hora de tamanho sofrimento, há diferenças entre todos nós...

28.4.10

Eu vi: Palmirinha Onofre no Programa do Jô...

Existem algumas personalidades do mundo da TV que se tornam mitos. Outras, viram cult. Nos dois casos, não há muita explicação: a coisa simplesmente acontece. E foi assim que, há algum tempo, Palmirinha Onofre virou cult. A figura da vózinha simpática, doce, um tanto atrapalhada e dona de um jeito todo peculiar de dar receitas na TV parece ter cativado o público - inclusive o jovem - de um jeito inquestionável. Por isso, entendi perfeitamente a expectativa em torno da entrevista que a cozinheira e apresentadora deu a Jô Soares. Antes mesmo do programa começar, não se falava de outra coisa no Twitter...
1999: Palmirinha no Note & Anote, com
Ana Maria Braga
Pausa para uma recordação: eu vi Palmirinha pela primeira vez quando era adolescente. Estudava de manhã e, muitas vezes, via TV de tarde, com minha mãe. E ela, claro, assistia ao Note & Anote, programa que Ana Maria Braga comandou por muito tempo na Record. Ali, entre panelas, fornos, batedeiras e muita conversa jogada fora, me chamou a atenção aquela senhorinha risonha, chamando Ana de "Aninha" e muito constrangida sempre que algo dava errado nas receitas preparadas ao vivo.
Jô Soares fez uma bela
entrevista com Palmira Onofre
Hoje, foi essa senhora que protagonizou dois blocos do Programa do Jô. Sorridente, Palmirinha contou histórias, deu dicas de culinária, lembrou passagens tristes de sua vida e me fez chorar lembrando muito de alguém muito especial que já se foi. E, mais que me lembrar da minha saudosa vó, Palmirinha me explicou a razão de seu sucesso: além da galhofa que todo mundo adora fazer com os erros e trapalhadas de quem está na TV, essa senhora nascida em Bauru conquistou o público porque é familiar a todos nós. Se para mim ela é a lembrança da minha avó, para outros tantos também é assim. E muitos devem ser os que enxergam nela suas mães, tias, esposas, cunhadas...! Palmirinha é humana, não virou o robô em que muita gente se transforma quando passa a botar a cara na TV. E, por mais sofisticados e tecnológicos que sejamos, ver alguém "de verdade" sempre vai nos emocionar.
Jô soube valorizar a entrevistada e fez um belo trabalho. Aliás, arriscaria até dizer que ele próprio também se emocionou diante de uma conversa tão inocente, leve e doce. Como conversa de vó. Como eram as conversas com a minha vó...

15.6.08

As flores-de-maio...

Estava sozinha a velha senhora de vestido amarelo, pés descalços e rosto banhado por lágrimas. Chorava pelo filho, levado pela vida para outros braços, longe de seus abraços, de seus conselhos e de sua proteção. Julgava ser a melhor companhia para o jovem que o tempo tratou de tornar rebelde.
Solitária, sentia o golpe daquela separação como se fosse uma punhalada no peito. Peito de mãe que escolhe e acolhe o filho de outra, apenas para livrá-lo da sina de ter a vida abreviada antes mesmo de poder ter noção do que significa viver.
Ao filho que o destino pôs em seu caminho, dera tudo: amparo, teto, amor, cuidado. Não pedira nada em troca, nunca. Mas não contara que, um dia, a vida os pusesse em estradas tão diferentes.
No quintal da casa, tomado por folhas secas caídas das árvores da vizinhança e espalhadas pelos ventos do outono, conservava um vaso bem cuidado. Nele, as flores que tinham no nome o mês das mães pendiam sobre o nada, em suspenso - como ficara o seu coração de mãe desde que seu menino havia decidido sair de casa. Passava pelas flores e as acariciava delicadamente. Quando tinha com quem falar, dizia que havia colocado o vaso ali, na entrada da casa, para que todo mundo pudesse apreciar.
Não era verdade. A única pessoa de quem esperava apreciação agora estava longe. E era seu amado filho...

22.3.09

Sim, eu fui ao show do Ricky Vallen...

Ex-calouro na TV, cantor é fenômeno no subúrbio do Rio. Em seus shows, esbanja voz e celebra a união com as donas de casa, o público mais fiel que um artista pode encontrar...

Quando minha mãe me chamou para ir ao show do Ricky Vallen, já o fez de forma descrente. Fã do cantor, revelado no programa de calouros do Raul Gil, ela sabe que aquele não é o meu estilo favorito de música.
Por isso, ela se surpreendeu quando disse que, sim, topava conferir uma apresentação do artista.
E lá fomos nós...
Chegando ao clube, avistei um monte de senhoras, todas vestindo roupas de festa. Todas alegres e ansiosas. E comecei a entender a origem do fenômeno Ricky Vallen...
Aqui, uma explicação: em bairros do subúrbio carioca, Ricky é pule de dez entre os cantores mais populares. Seus shows são sempre lotados e o público, fiel, faz questão de seguir o artista em lonas culturais, clubes e teatros de pequeno e médio porte. É esse público que fez o primeiro cd do cantor ficar por vários meses na lista dos mais vendidos no país, perdendo apenas para o furacão Ivete Sangalo que, no mesmo ano de 2007, lançou o arrasa-quarteirão Multishow Ao Vivo no Maracanã. Ou seja: sim, Ricky Vallen é um fenômeno!
De volta ao show. Os gritos quase abafaram os primeiros acordes da banda quando o cantor entrou no palco, vestindo uma calça jeans e uma camiseta preta; bem diferentes dos figurinos extravagantes e pouco usuais que já são uma marca do artista. Simples na roupa, Ricky parece ter guardado toda a exuberância para as interpretações da noite. Dono de uma voz que parece não conhecer limites, o cantor enfileirou um repertório eclético, que foi de Ângela Maria a Daniela Mercury, passando por Lenine, Vander Lee e Elis Regina.
O amor é tema dominante no show e favorece as firulas que o intérprete parece gostar de fazer quando canta. É inegável que Ricky Vallen se empenha para deixar a sua marca em cada uma das canções que canta. Inventivo, quer deixar a sua identidade estampada em cada uma das músicas que interpreta.
E aí é que está: pra mim, Ricky vai por um caminho complicado. Caminho que, em muitos momentos, esbarra no exagero. Se fôssemos amigos, diria a ele que suas interpretações ficam muito mais bonitas quando o canto é mais contido e quando os arroubos da garganta não têm tanto espaço.
Mas não é isso que a plateia espera dele. E, esperto, o cantor sabe disso! A cada nota mais alta, a cada agudo impressionantemente alternado com um grave, os aplausos explodem e coroam um tipo de canto sem igual nas rádios e na TV atualmente. Diferente de tudo o que se vê e ouve por aí, Ricky Vallen cunha sua identidade de costas para todos os críticos de seu estilo. Preferiu dar as mãos ao público, com quem aproveitou para celebrar o seu primeiro grande sucesso, Vidro Fumê, música que vem ocupando os primeiros lugares nas FMs populares desde o último mês de novembro e foi incluída na última turnê de Adriana Calcanhotto.
Quase no fim do show, quando eu já estava certo de que aquele não era mesmo o meu lugar, Ricky juntou Milagres do Povo, Pérola Negra e Maria, Maria. Um medley improvável e, surpreendentemente, perfeito! Desceu do palco e percorreu todos os cantos do clube, nos braços da plateia. Colocou todas aquelas senhoras para dançar, de mãos para o alto, batendo palmas e sorrindo junto com ele. Ganhou e distribuiu abraços, beijos e acenos.
Distante da minha mãe, que estava numa mesa lá na fila do gargarejo, olhei e vi uma menina feliz, sorrindo, dançando e cantando; seguindo com os olhos o caminho que o artista fazia pelo clube enquanto ele passava lá no fundo do ginásio, bem na minha frente.
Nessa hora, revi meu prognóstico e entendi esse fenômeno popular que é Ricky Vallen. Casado com o mais fiel e conservador dos públicos, aquele composto pelas donas de casa, Ricky esbanja carisma e sabe acarinhar a multidão de tias, mães e avós que são o motor maior de seu sucesso.
E se antes eu cheguei a pensar que nunca mais veria um show dele, deixei o clube de mãos dadas com minha mãe, certo de que, pra vê-la novamente tão feliz, faria isso muitas vezes mais.
Quanto ao Ricky, não tenho dúvida de que é um grande artista. Resta saber se terá força para seguir em frente com seu estilo próprio, diante de uma indústria que sempre busca homogeneizar para vender mais...
E digo mais: adoraria entrevistar esse cara! Quem sabe um dia?

20.8.08

A graça de ter e sentir saudades...

E foi então que, quando nem podia mais supor, encontrou um baú cheio de cartas. Cartas dela. Leu todas, uma a uma, para matar a sede que aquela saudade absurda provocara. Uma sede que tinha crescido em todos aqueles meses; e mais ainda no período em que julgara ter se acostumado àquela ausência. Era um engano e, silenciosamente, como a mais traiçoeira das víboras, crescia em seu peito um vazio; apertava em sua garganta um nó.
Num primeiro momento, revoltou-se por ter saudade. Quem inventou a saudade, com certeza, não tinha pena de todos os que viriam a sentí-la um dia, pensou. Quem inventou a saudade não pensava nas mães afastadas dos filhos pelos caprichos misteriosos de um destino que nos esforçamos pra entender - tantas vezes, sem sucesso. Quem inventou a saudade não pensava na dor dos amantes separados pelas bifurcações que a vida faz surgir em cada uma das caminhadas.
Era duro demais debelar aquele incêndio em seu peito. E sabia que era assim pra muita gente...
Leu tudo. Aqui e ali, uma ou outra lágrima pulou dos seus olhos sobre o papel que tinha nas mãos. Que bom era receber, ainda que assim, com atraso, todas aquelas notícias do mundo novo...
No fim da leitura, aliviado, agradeceu por ter saudades dela. Só tem saudade quem viveu coisas boas; como só se tem saudade do que é bom. E, felizmente, tinha mais essa história pra contar...

15.9.09

Uma breve divagação esotérica...

Vindo pra TV hoje cedo, parei num sinal de trânsito e, enquanto a chuva despencava de uma nuvem cinzenta qualquer, avistei um daqueles clássicos cartazes colados em postes. Não era nada original; a mensagem era a boa e velha: "Trago a pessoa amada em três dias", seguida do nome e dos telefones de contato da tal mãe de santo.
Eis que, num estalo, eu me pus a pensar: por que raios, com tanta tecnologia disponível hoje em dia, as mães de santo, tarólogas e afins ainda demoram três dias pra encontrar a tal da pessoa amada, gente? Não tenho dúvidas de que, em certos casos, apelar pro São Google pode trazer resultados bem mais ligeiros. Né não?

4.1.10

Sobre a tragédia em Angra e Ilha Grande...

A cobertura da tragédia em Angra e em Ilha Grande tem me emocionado muito. Primeiro, e obviamente, pelo número de vítimas e pela quantidade de crianças e jovens envolvidos nesse drama. Ver gente tão nova chorando a perda de amigos queridos dói e torço para que esses sobreviventes não percam a crença de que a mesma vida que oferece o amargor da tristeza é capaz de nos brindar com a doçura de muitas risadas.
Mas o que mais tem me entristecido é pensar que todas aquelas pessoas estava lá para passar momentos especiais. Gente que se programou, saiu de casa, viajou para um paraíso e encontrou a morte no meio do caminho. Imagino os momentos de horror que todos passaram logo que perceberam o que o destino os reservava e sinto o coração apertar quando vejo imagens de pais, avós, mães, tios e tias de tanta gente que não viveu para ver se 2010 será mesmo um Ano Bom. Para eles, foi o fim...
A cada reportagem que vejo, peço a Deus que encha os sobreviventes, seus familiares e os parentes das vítimas fatais de força. Força para seguir em frente acreditando que viver é a única - e melhor - alternativa!

29.6.11

Cupido está de greve!

Sobre a mesa, além de pilhas e pilhas de fotografias, a plaquinha não deixava dúvidas: aquele era o ambiente de trabalho do Cupido. Uma sala pequena, com um grande alvo pintado numa das paredes e uma infinidade de flechas destinadas ao treino diário do arqueiro mais famoso de que se tem notícia quando o assunto é amor. Mas a fama não andava das melhores...
Lá no Andar de Cima, o Departamento de Controle de Qualidade era rigoroso. Trabalhava com alta tecnologia. Toda vez em que alguém, em algum lugar do planeta, citava um dos colaboradores do Paraíso, as caixas de som reproduziam as falas em tempo real. Para Pedro eram comuns os pedidos de sol nos finais de semana, torcida para que as chuvas não fossem tão intensas e para que pusesse em bom lugar os novos habitantes. Cristóvão recebia mensagens de motoristas e familiares preocupados com as viagens pelas estradas. Edwiges, do Departamento Financeiro, vivia com calculadoras nas mãos, tentando resolver os imbróglios econômicos do povo da Terra. Maria - cheia de graça e de apelidos - vivia intercedendo por mães e filhos. E, assim, a grande equipe cuidava de gerir as coisas lá em cima, para que nada fugisse dos trilhos aqui embaixo.
Mas Cupido tinha virado um funcionário-problema. Eram diárias e muito numerosas as mensagens ouvidas no sistema de som do Paraíso. Vinham de todos os cantos! "Querido, a flecha que você enfiou aqui era pra enfiar lá também, na outra parte...INCOMPETENTE!!!", dizia um. "Enfia a flecha no...", bradava um sujeito mais rebelde. "Cego, sem pontaria!", queixava-se um terceiro. "Mantenha distância", clamava alguém traumatizado pelas flechadas equivocadas de outrora. Sem falar nos que tiravam sarro da pontaria errante: ‎"Óticas do Povo. Morou? Hahai".
Pobre Cupido. Raramente ouvia elogios. Ninguém queria saber de suas condições precárias de trabalho, da falta de assistentes, de sua miopia galopante, das lesões por esforço repetitivo e, mais que isso, do quão injustiçado se sentia toda vez em que alguém, depois de ser agraciado por uma flechada caprichada, atribuía os louros da conquista a Antônio - seu concorrente direto no Departamento Afetivo. Antônio tinha até um dia só para ele, ganhava missas e mais missas. E Cupido, em contrapartida, só ouvia queixas.
Foi então que decidira, tempos atrás, deixar correr frouxo. Pendurou o paletó na cadeira, deixou de praticar a pontaria e passava os dias de asas paradas, braços cruzados, deixando os reclamões se virarem aqui na Terra. Se ninguém mais levava fé em seu talento, não havia razão para provar seu dom. Sobrecarregado, Antônio também não dava conta do recado e o Departamento Afetivo entrou em colapso.
O Diretor-Geral andava preocupado com os rumos que a coisa estava tomando com a operação-padrão empreendida por Cupido. Mas não podia demití-lo: eram muitos anos de casa e as indenizações poderiam deixar o Paraíso no vermelho. E vermelho, vocês sabem, tem mais a ver com o laytout do subsolo...
Um dilema sem solução conhecida. E esse é o estado atual das coisas. Cupido segue de braços cruzados, Antônio continua incapaz de suprir a demanda e, cegos, todos nos perdemos e nos achamos aqui na Terra. Vivemos aos esbarrões, ora dando cotoveladas, ora recebendo abraços e beijos. Deixamos as coisas do coração ganharem ares de jogo de azar: apostamos na roleta, vemos nossas fichas serem levadas e, empobrecidos a cada fracasso, voltamos a tentar a sorte, cada vez menos certos de sua existência. De tropeço em tropeço, o cansaço vai nos vencendo e a tendência é valorizar o que não tem valor, e confundir o que realmente é precioso com o que é apenas mais do mesmo. 
É fato que a imprudência do Cupido nos deixou perdidos. Marcados por feridas deixadas por flechadas jamais cicatrizadas, fechamos nossas almas para novos encontros à espera de um momento ideal que, de fato, nunca chegará. Porque não se pode crer num momento oportuno para sentir o coração acelerar, as pernas tremerem e a boca secar só porque aquele alguém especial telefonou. Ou porque deixou de fazê-lo. Não há hora certa para sentir o peito apertadinho de saudade ou para os olhos molharem com a lembrança de um beijo. Não há dia perfeito para que todos os beijos da boca amada pareçam insuficientes diante da enormidade do nosso desejo.
E talvez você se pergunte: o que pode ser feito? Mensagens zangadas para o Cupido de pouco resolvem - há quem diga que os responsáveis pelo sistema de som do Paraíso andam providencialmente fazendo uma triagem para evitar reclamações sobre o tema. Portanto, o melhor a fazer pode ser seguir o conselho de Luzia: cuidar bem dos olhos. Porque, num desses esbarrões da vida, você já pode ter dado de cara com alguém especial sem ter sequer percebido. E deixar passar pode ser perigoso. 
A menos que você seja do tipo que, num cassino, não tem medo de arriscar tudo na roleta...

PS.: Glaucio Marfir, Thiago Dionisio Costa, João Gustavo Mello e Pedro Leonardo: obrigado pela colaboração! ;-)





3.9.07

Quando a morte é a melhor conselheira...

Ainda pequeno, quando soube que morrer era o destino de todos, passou a achar a vida uma brincadeira extremamente sem graça. Era meninote ainda, mas esperto o bastante para não mais crer naquela conversa mole de que, num belo dia, todos virávamos estrelas. Perguntava-se qual a razão que mantinha todos interessados em levar aquela história em frente se, no fim, só sobrariam dor e lágrimas. Se, depois de tudo, aquelas pessoas tão amadas sofreriam tanto na hora de uma despedida covarde, compulsória, terrivelmente triste.
Com o passar dos tempos, foi experimentando perdas. E choros. E dores. E despedidas. Esforçava-se para tentar estabelecer uma relação mais saudável com a morte, mas sempre que se via diante dela, arrefecia. Não parecia ter forças para resistir ao pavor da idéia de ver suas pessoas partirem...
Penalizava-se com a triste sina das mães e dos filhos. Idéia absurda separá-los! Jeito estúpido de desfazer o mais profundo dos laços de amor. Se não confiasse em Deus, teria visto até uma ponta de maldade nesse desígnio. Tentava entender, mas não conseguia.
Um dia, num cemitério, envolto por aquela atmosfera de pesar, avistou a bela mulher envolta por uma névoa. Espreitava tudo ao longe, atrás de um túmulo de aparência requintada. Rodeada de flores murchas, depositadas sobre a laje da sepultura, ela o chamou. Aliás, ele nem sabia ao certo como havia entendido o chamado, uma vez que a tal mulher não se moveu e nem ensaiou pronunciar nada. Mas o chamou, sabia. Sentira.
Disfarçou e se afastou do grupo que acompanhava aquele sepultamento quando o padre parecia já prestes a terminar sua ladainha. Aproximava-se da mulher e a névoa parecia se tornar mais forte, deixando mais difícil qualquer tentativa de desvendar o rosto da interlocutora. A névoa tinha um cheiro doce, que, contraditoriamente, parecia-lhe familiar e desconhecido demais. Esforçava-se para interpretar o cheiro quando ouviu, sem que a moça nada falasse...
- Assim é, assim será. Com você, com todos. Vês o padre? Agora encomenda o corpo. E amanhã terá o próprio corpo encomendado por algum colega.
Assustou-se. Como ela falava se não mexia a boca? Pensou em perguntar a identidade da interlocutora, mas notou que sua boca também parecia agora incapaz de se mover. Notou nos olhos dela uma expressão serena, e a estranha conversa prosseguiu.
- Sou esse alguém de quem tem tantas mágoas. Esse alguém por quem sempre rezaste a pedir que me mantivesse longe de ti e dos teus. Quanta preocupação, filho! Não se deve ter revolta contra a ordem natural das coisas, nem tampouco pensar tanto sobre isso. Apenas se deve viver, preocupando-se com a felicidade e com a felicidade de todos que se ama e que amas também. Não se deves deixar que a dureza do mundo petrifique o coração, e nem que o torne tão gelado quanto o tampo dessa sepultura. É preciso viver com as pessoas queridas momentos de amor e alegria; e, assim, elas seguirão para sempre guardadas no coração e na lembrança. E quando a hora chegar, haverá a saudade, mas também o conforto e a certeza de se ter dado o melhor a cada uma delas.
- Pense nisso, filho - continuou a moça, tocando seu rosto com sua mão translúcida e quente - e desapega-te. Do mundo, das pessoas, das coisas que te disseram sempre ser de valor. Porque se há tolos que temem o fim de tudo, mais tolos são os que se apegam à matéria e às coisas da matéria. Acumulam jóias, dinheiros, carros importados, roupas caras e toda sorte de quinquilharias que nunca serviram a nenhum deles quando lhes chegou a hora de largar esse mundo pra trás.
Sentiu como se lágrimas escorressem por seu rosto quando a moça lhe disse que todos seus amigos e familiares que haviam partido sempre olharam com carinho por ele. Intercediam em seu favor e faziam o possível para evitar que suas angústias e sofrimentos tirassem a alegria contagiante que tinha quando estava na companhia daqueles que amava. Chorou quando ela disse que nunca mais ficara só, mesmo nos momentos de mais extrema solidão.
A sensação era de uma estranha afeição por aquele alguém de quem, até então, guardara apenas mágoas e medo. Tudo nela lhe parecia tranqüilizante: a voz, o toque das mãos, o perfume indecifrável daquela névoa que agora também o envolvia. Olhos ainda marejados, encarou a bela moça e, enfim, conseguiu dizer algo, enquando a mãe jogava um arranjo de flores sobre o caixão do filho:
- Queria muito poder, mas sinto que não tenho como lhe agradecer por essa nossa conversa...
E ela segurou sua mão suavemente, tocou seu rostou com a outra mão - igualmente macia - e, pela primeira vez como fazem os humanos, disse:
- Não precisa dizer nada agora. Ainda há tempo para conversarmos mais.
E a névoa se tornou novamente espessa, envolvendo os dois. Convertidos naquela espécie de fumaça cheirosa, ganharam o céu e se misturaram às nuvens daquele fim de manhã de inverno enquanto a mãe dele, o morto, desmaiava ao ver a primeira pá de terra cair sobre o caixão do filho...

26.4.08

E Claudete chorou...

Zapeando pelas emissoras abertas agorinha, acabei me deparando com um emocionado depoimento de Claudete Troiano em "O melhor do Brasil". Comandado por Rodrigo Faro, o quadro propunha uma lavagem de roupa suja em rede nacional. Abomino as atrações desse tipo, mas queria ver o que a Claudete tinha a dizer sobre sua saída da Band, há cerca de um ano.
Mas foi a emoção de Claudete ao falar do processo respondido por sua filha que acabou me tocando. Aliás, o amor de mãe é, pra mim, uma das maiores forças da natureza. E Claudete Troiano, que sempre me pareceu ser muito boa gente, mostrou ser gente de verdade e, olho no olho, solidarizou-se com pais e mães que enfrentam problemas semelhantes com os filhos. E ainda se disse agradecida a Deus, apesar de todos os infortúnios...
E tem gente que esmorece diante de tão pouca coisa, né?

1.4.08

Quando os grãos caem mais rápido...

O primeiro dia de abril é internacionalmente conhecido como o dia da mentira. Mas trouxe, ao menos pra mim, uma verdade incontestável: o tempo está passando muito rápido! O ano já se aproxima da metade, comerciais sobre o Dia das Mães já estão no ar...
Deve haver alguma explicação para essa sensação de que os dias já não levam o mesmo tempo pra passar que levavam quando eu tinha uns 15 anos...

27.6.10

Em 'Hiperativo', Paulo Gustavo confirma hipertalento...

Carismático, ator se firma em peça baseada única e exclusivamente em seu talento para contar causos engraçados. E bota engraçados nisso!!!
São poucos os atores que conseguem manter o público nas mãos durante um espetáculo totalmente baseado na falação. E é exatamente esse o mérito de Hiperativo, stand  up estrelado por Paulo Gustavo. Baseado numa frenética contação de causos, o espetáculo diverte a plateia e mostra que o ator, consagrado no monólogo Minha mãe é uma peça, tem talento para muito mais que um título.
Debochando de tudo, de todos - e de si mesmo - Paulo Gustavo faz graça com as "limitações" do gênero stand up, debocha das grandes - e pretensiosas - aberturas de shows, e conta uma série de histórias protagonizadas por ele, por amigos e por familiares. Ao ouvir frases como "Quando a pessoa vem feia, Deus indeniza", dita para justificar sua "beleza-depende", o ator conquista a plateia. Há momentos em que a risadaria é tão grande que, fanfarrão como ele só, o ator interpela: "Cala a boca, gente! Deixa eu falar!". E o público explode em nova gargalhada...
As histórias protagonizadas pela (já famosa0 mãe de Paulo Gustavo são geniais. E reiteram a genialidade desse ator que soube tirar da máxima de que "as mães são todas iguais" matéria-prima riquíssima, capaz de produzir tiradas de interesse universal. Não há quem não ria no teatro ao ouvir as aventuras dessa mãe um tanto neurótica, que liga para o filho e não deixa que ele pronuncia uma única palavra durante todo o tempo do telefonema.
E, a julgar pela quantidade de histórias que conta - e pela impressionante velocidade com a qual emenda umas às outras - Paulo Gustavo herdou esse dom: é um falastrão de primeiríssima qualidade! E dos mais engraçados!!!
Recomendo!

14.10.06

XX anos...

Casa da minha prima. Xuxa na televisão, celebrando seus 20 anos de Globo. Nosso diálogo:
- Como a gente podia gostar disso? - ela disse.
- Uai, a gente era criança! - respondi.
Xuxa teve um tempo todo especial. Para as meninas, ela era o modelo de beleza, de sucesso. Para os meninos, era uma gata! Era o que eu via nela. Nunca achei muita graça no seu programa - preferia o Bozo, como já disse aqui. Gostava dos desenhos: Caverna do Dragão, Tom&Jerry, He-man, Smurfs, Pica-Pau...e, vá lá, Ursinhos Gummy (aqueles que tomavam um suquinho meio batizado e ganhavam super-poderes).
Hoje, 20 anos depois, Xuxa me pareceu meio perdida. Linda mulher tentando parecer ainda menina, ainda moleca. A imagem brigando com o discurso. Carismática, comunicadora...mas algo nela não bate; algo ali me incomoda. E não é preconceito, é opinião de alguém que acompanha essa jornada de duas décadas.
Acho que ela perdeu o bonde da história ao deixar de falar para um público mais adulto - o seu público, que nasceu e cresceu acompanhando seu "xou". Não é à toa que uma amiga - convidada para a festa fechada pelos 20 anos de Globo - me disse que as mães e os pais curtiram muito mais a apresentação que os pequenos.
Mas, contudo, é dona de uma carreira respeitável. Dona de uma legião de fãs. E merecedora de tudo de bom que tem lhe acontecido desde 1986. E que, eu espero, continue acontecendo.
Ah, outro comentário de minha prima:
- 1986? Caramba! Como eu tô ficando velha!!!
Pois é...eu também!

29.9.06

Workout 2

De novo na academia. De novo a esteira. A canela já não doi, condicionada por um mês de intensa malhação - ainda mais intensificada nas últimas duas semanas. E a televisão está em outro canal: a Rede Record.
No ar, o Hoje em Dia, uma revista matinal comandada por um trio: Ana Hickmann, Britto Jr. e Eduardo Guedes. Já tinha visto o programa na época do lançamento. E não tinha gostado. Achei a apresentadora muito nervosa e o Britto Jr, jornalista experiente, muito disposto a fazer gracinhas que, na minha primeira análise, não combinavam muito com o perfil de um jornalista.
Mudei minha opinião hoje: depois de algum tempo no ar, a atração já está azeitada. Ana Hickmann transborda beleza e segurança - parece ter nascido para essa nova carreira. Edu Guedes ainda me parece meio apagado, mas vale ressaltar que não o vi em ação, dando dicas de culinária. Para meu alívio: tudo o que não queria, na esteira, era ver mais uma guloseima
irresistível ser preparada.
E me chamou a atenção, em especial, uma matéria sobre idosos. Essa é a semana deles. Uma equipe foi até um asilo e entrevistou vários velhinhos, todos com belas histórias de vida. Muitos,
esquecidos pela família. Entre eles, uma senhora, poetisa. Caderno repleto de versos, letra linda,
anunciando as saudades do filho que não a visita. Há muito tempo. Olhos marejados e sorriso esperançoso nos lábios, leu seu poema cheio de saudade e olhou para a repórter: "Quem sabe agora, no final do ano, ele não apareça? Vou ficar tão feliz que vou ligar pra você dizendo - olha, meu filho veio..."
A repórter, comovida, abraçou e beijou aquela mãe saudosa. Como faria qualquer pessoa de bom coração. Na academia, eu e meus companheiros de sofrimento, digo, de corrida na esteira, xingamos um filho que tem coragem de esquecer a mãe daquela forma. E pensar que há tantas mães, tantos pais...tantos avós abandonados em asilos como aquele...muito triste.
De bonito, nessa história toda, só a matéria do Hoje em Dia. E, além dela, constatar o crescimento de um programa e de colegas de televisão.
Ah...acho que também é bonito dizer que consegui terminar a maratona na esteira...!