20.9.09

Sobre as belezas do Ceará. E do povo cearense...


Dois dias inteiros no Ceará e, mesmo em meio a tanto trabalho, já sinto uma saudável desacelerada. Aqui o ritmo é outro e a beleza da natureza e o humor do povo cearense se encarregam de mandar o estresse da vida cotidiana pra bem longe...
Beleza de lugares como as prais de Beberibe, no litoral oeste da capital. Lá é possível passear pelo labirinto de falésias e ver de perto a areia de diferentes tons e cores que os artistas usam pra produzir os desenhos que enchem aquelas tradiconais garrafinhas com imagens típicas da realidade local.
Humor de gente como Cleylson, guia turístico que nos acompanhou durante o passeio pelas falésias. Com ensino médio completo e formado em curso do Sebrae, Cleiylson disse, entre outras pérolas, que os cearenses têm muitos filhos "porque, aqui, as camisinhas são feitas de...renda!".
Por outro lado, esse ritmo no stress também gera situações, digamos, embaraçosas. Pedi para ser acordado cedo, na manhã de ontem e...nada! Hoje, também no hotel, liguei para o room service e pedi meu jantar. A atendente, muito simpática, registrou o pedido e prometeu a entrega em 25 minutos. Uma hora e quinze depois, liguei para entender a razão do atraso. E ela se justificou:
- O senhor não disse o nome do quarto...
- Mas você não me perguntou! Achei que o sistema indicasse de onde eu estava ligando! - argumentei, rindo da situação.
- Diz não senhor... - justificou-se a moça.
Menos de dez minutos depois, o prato veio. Muito quente: foi requentado com requinte!
Mas o que mais tem me cativado é o brilho nos olhos das crianças daqui. Muitas eu conheci na escola em que gravamos ontem. Um, Michael, aproximou-se de mim pra saber "como era voar de avião". Mal sabe que o sono que sinto dentro das aeronaves me impede de dar uma explicação mais detalhada. Loiro e de olhos verdes, o Michael se revelou fã do xará, Jackson. E ficou do meu lado durante boa parte da gravação. Aquele tipo de criança que a gente olha e dá vontade de ter uma igual...
Mas se eu fosse ter um loirinho como Michael, teria que ter outro, moreno, como Jean. Ele tem 12 anos, olhos pretinhos e brilhosos. Não tem muito mais que metro e meio. Nunca repetiu e já está na sétima série. Jean vende cocada na praia para ajudar a família de sete irmãos. Sonha ser jogador de futebol e, ao ouvir meu sotaque carioca, pergunta pra qual time torço. E a gente se descobre arqui-rivais: eu, flamenguista. Ele, vascaíno. Compro e provo a deliciosa cocada e, quando vejo Jean dar as costas e partir, desejo, em silêncio, que Deus guie e proteja os passos daquele garoto tão esperto e educado. E que ele tenha a oportunidade de conhecer pessoas e lugares tão incríveis como eu tenho tido...
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