13.5.10

Sobre a Seleção do Dunga...

Técnico escala Seleção sem levar em conta o clamor popular. Resultado: cobranças que comprovam a velha máxima de que o pior emprego do Brasil é o de treinador da Seleção Brasileira...
Ok, a Seleção que vai defender o Brasil na Copa do Mundo de 2010 está longe daquela idealizada pela torcida. Fechado num esquema que é só seu, Dunga fez ouvido de mercador para os clamores de toda uma nação de técnicos e escalou uma equipe tão opaca que dá a clara impressão de que, na África do Sul, a camisa canarinho terá tons pastéis. Falta um matador, falta alguém que desequilibre a partida. Falta quem faça por Robinho o que Ganso tem feito no time do Santos: passes magistrais. E falta, sobretudo, alguém que dê algum toque de genialidade à equipe anunciada ontem.
Por essas e (muitas) outras, concordo quando dizem que Dunga não escalou a Seleção Brasileia: escalou a seleção do Dunga.
Mas, confesso: desde ontem tenho achada muito exageradas às reações ao time montado pelo técnico. Se Dunga demostra ser um cara ressentido com a imprensa, acho que a recíproca também é verdadeira. Ainda paira nos comentários e nas análises um certo inconformismo com o fato de termos um comandante sem griffe: graças à escolha da CBF, o Brasil tem um técnico que conquistou o posto máximo do futebol nacional sem jamais ter treinado qualquer clube. Um fato realmente estranho, claro. E somados a isso estão os resquícios da Era Dunga que, para boa parte dos especialistas, começou a sepultar o futebol arte.
Eu não me incluo nessa lista: sou apenas um apreciador do esporte inventado por Charles Miller. Por isso, faço muitas ressalvas nas críticas - algumas delas, bem pesadas - que recaem sobre Dunga e seu (agora revelado) grupo. Primeiro, pela obviedade: em nenhum momento o treinador deu qualquer indício de que estaria disposto a flexibilizar suas ideias em torno do que seria uma seleção competitiva e ideal para a disputa da próxima Copa. E, em segundo lugar, porque o treinador escolhido pela CBF, mesmo inexperiente, teimoso e pragmático demais pra quem gosta de futebol-espetáculo, cumpriu a missão de renovar a seleção e classificá-la para o Mundial que começa em breve. Além disso, em 52 jogos, a Seleção Brasileira comandada por Dunga venceu 36 vezes, empatou em outras 11 e só teve cinco derrotas. Uma boa média, não?
Por isso, acho que Dunga merece um voto de confiança. Mesmo tendo optado por escalar uma seleção com cara de zebra em vez de montar um time sem vergonha de ser favorito...
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