14.4.10

Sobre a tragédia das chuvas no Rio, a responsabilidade dos jornalistas e o Profissão Repórter...

Dia desses, Renata Ceribelli escreveu sem seu Twitter que a imprensa tem uma parcela de culpa em tragédias como a do Morro do Bumba. Retuitei a mensagem de Renata por concordar com ela. Vendo as dimensões dessa tragédia anunciada - que sequer são totalmente conhecidas até o momento - eu me pergunto como uma bomba relógio como aquela permaneceu armada, sem que ninguém ouvisse seu ameaçador "tic-tac". Sem que a imprensa percebesse o pavor da história de vida daquelas centenas de pessoas vivendo sobre um lixão.
E fico me perguntando o porquê de tamanho absurdo não ter sido notado. Talvez porque estejamos todos - inclusive a minha classe, a dos jornalistas - insensíveis ao fato de que os pobres, nas periferias das grandes cidades, serem tratados como lixo. E se assim são vistos, passa a ser natural que habitem sobre um lixão.
Talvez as condições de vida no Morro do Bumba jamais tenham sido denunciadas porque a imprensa anda elitista demais, porque as redações estejam repletas de coleguinhas habituados ao mundinho Zona Sul, que sequer sabem as cores e os cheiros da cidade que há depois do túnel.
Talvez aquela triste realidade jamais tenha encontrado o merecido espaço em sites, jornais, revistas e programas de rádio ou TV porque estamos, todos - jornalistas ou não - cada vez mais focados em nossos umbigos...
Uma pena....
Hoje, no fim do Profissão Repórter, Caco Barcellos foi abordado por um morador de uma das comunidades atingidas pelo rastro de destruição e morte deixado pelos temporais da semana passada. Sofrido, o homem pedia "um favor": que Caco voltasse ao local dentro de seis meses, para ver como aquela comunidade estará vivendo. Experiente, o repórter respondeu: "Não é um favor, é nossa obrigação". Concordo com Caco. É mesmo obrigação de todos nós estar em comunidades como aquela; denunciar situações como aquela. E, sobretudo, alertar para que tragédias daquelas proporções jamais se repitam.
No Morro do Bumba, falhamos todos...
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